Novos testes não invasivos conseguem revelar com antecedência a possibilidade de uma pessoa vir a ter um problema cardiovascular mesmo que ela não apresente sintomas ou fatores de risco como níveis elevados de colesterol, hipertensão ou diabetes. Os exames fazem parte de uma nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia que começou a vigorar no País neste ano. A idéia é que, associados aos métodos clássicos, eles ajudem a prevenir os eventos cardiovasculares, que matam por ano 300 mil brasileiros.
Segundo o cardiologista Raul Dias Santos, diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do Instituto do Coração (Incor), os novos exames são indicados às pessoas com um risco cardiovascular médio (tabagista e obesa, por exemplo). Estimativas internacionais mostram que 40% da população apresenta risco médio. “São pessoas que têm de 10% a 20% de chances de vir a sofrer um infarto nos próximos dez anos’’, explica Santos.
Entre os exames de imagem, está o ultra-som que mede a espessura da artéria carótida. Quando essa artéria tem mais de um milímetro de espessura, há indicação de gordura e existem 25% mais chances de a pessoa sofrer infarto ou derrame.
“Se a gente tem idéia da espessura da carótida, sabemos quais as possibilidades de a pessoa vir a ter doença no coração e entrar com medidas preventivas’’, explica o cardiologista Ibraim Pinto, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Outro exame é a angiotomografia, feita por tomografia computadorizada e que revela o grau de dano da artéria. Ele faz uma “fotografia’’ do interior do coração, identificando se há obstrução por placa de gordura na artéria, o grau dessa placa e qual o seu tipo (as moles são as mais perigosas). Uma vantagem do exame é a possibilidade de analisar as artérias sem a necessidade de introdução de cateter (cateterismo).
“Isso não quer dizer que um exame substitua o outro. A angiotomografia contribui para o diagnóstico e, diante do resultado, o paciente poderá ou não precisar de um cateterismo’’, diz Raul Santos, do Incor.
A angiotomografia também mostra se existe cálcio no vaso sangüíneo, o que, futuramente, poderá levar à obstrução das veias. Segundo Ibraim Pinto, toda placa de gordura apresenta um grau de calcificação. “Se há cálcio, tem arteriosclerose (depósito de gordura).’’
O médico exemplica de que forma o exame pode ajudar: dois homens saudáveis, com histórias familiares e idade semelhantes se submetem à angiotomografia. O exame revela que um tem alto nível de cálcio nos vasos sangüíneos e o outro, baixo. “Aquele que tem cálcio alto, deve diminuir o colesterol ainda mais (com dieta e exercícios ou medicamento). O outro, com cálcio baixo, pode continuar comendo feijoada’’, explica Pinto.
Na área bioquímica, os cardiologistas indicam o teste que mede a quantidade de proteína C reativa no sangue, um marcador de inflamação e que pode sugerir uma arteriosclerose. O cardiologista Lilton Martine alerta que os exames devem ser usados com critério em razão dos custos. A angiotomografia, por exemplo, custa cerca de R$ 800,00 e não é bancada pela maioria dos planos de saúde.