Para tristeza de muitos universitários de Bauru e região, as férias estão prestes a acabar. Dentro de poucos dias, milhares de jovens serão obrigados a trocar sonecas, passeios e baladas por livros, seminários e monografias.
Nos dias 5 e 6 de fevereiro, voltam os alunos das faculdades particulares; já no dia 26 do mesmo mês, será a vez dos estudantes das instituições públicas. Mas enquanto os universitários se lamentam, os proprietários e corretores de imóveis têm motivos de sobra para se alegrar com a proximidade das aulas.
É que em janeiro a cidade costuma registrar um verdadeiro “boom” na procura por moradias para aluguel. A presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de Bauru, Wânia Pôrto, estima que ocorra crescimento de 20% em relação aos demais meses do ano. “É um período promissor para quem quer fazer bons negócios”, garante.
Célio Pessan, diretor de uma imobiliária em Bauru, confirma esse aumento. “No começo do ano a movimentação no mercado realmente fica maior. É que a cidade possui várias faculdades e recebe estudantes de diversos lugares do País”, lembra.
Pessan está coberto de razão: referência em educação no Estado, Bauru conta atualmente com dez instituições de ensino superior em funcionamento e os 135 cursos de graduação oferecidos possuem quase 25.500 alunos. Isso sem contar outros 4.000 estudantes matriculados em programas de mestrado, doutorado e especialização.
Uma população universitária para lá de considerável - sobretudo num município cujo número de habitantes é pouco superior a 350 mil -, que nos últimos tempos vem sendo reforçada por levas imensas de novos de alunos.
Só em 2006, por exemplo, as instituições de ensino superior de Bauru ofereceram 12,2 mil vagas ao público. É gente que não acaba mais, proveniente de todas as partes do Estado e até mesmo do Brasil.
“Vem estudante de Piracicaba, São Paulo, Campinas... Já aluguei apartamentos até para pessoas vindas de Goiânia e de Manaus”, garante Liana Aparecida Paulucci da Silva, proprietária de um empreendimento imobiliário situado próximo ao campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na zona leste da cidade.
Locais como o mantido por Silva estão entre os preferidos pelos estudantes que vêm morar em Bauru. “Essa predileção se deve ao fato desses imóveis ficarem perto das faculdades. Dessa forma os alunos não precisam fazer grandes deslocamentos para ir à aula”, explica Wânia Pôrto.
A popularidade dos imóveis situados próximos à Unesp é tão grande entre os universitários que condomínios inteiros acabam sendo convertidos em moradias estudantis. No Residencial Vila Verde, os alunos do ensino superior ocupam cerca de 40% dos 192 apartamentos disponíveis.
No Vila Grená, a participação dos estudantes é ainda maior: quase 60% das moradias disponíveis estão nas mãos de universitários. Atualmente, todos os apartamentos do condomínio estão ocupados; encontrar uma vaga - mesmo que seja para compra - tornou-se algo quase impossível. “Todo dia ligam pelo menos quatro pessoas querendo alugar, mas explico que no momento estamos lotados”, garante o zelador Osias Alves de Camargo.
Mas a procura não se restringe apenas aos empreendimentos vizinhos à Unesp. Imóveis localizados próximos a grandes corredores viários, como as avenidas Duque de Caxias, Rodrigues Alves e Nações Unidas, também costumam ter bastante aceitação entre os estudantes.
“Esses lugares ficam perto dos pontos de ônibus, o que facilita o acesso às universidades. Além disso, estão a meio caminho do Centro, o que não deixa de ser também um atrativo”, ressalta Pôrto. Fatores como conforto e preços mais em conta são outros itens que pesam na escolha dos estudantes.
Quem tem condições e quer privacidade paga um pouco mais e mora sozinho. Já quem anda meio curto de grana tem de apelar para a boa e velha república. “Quando você vive com mais gente pode dividir as despesas. Dessa forma as contas acabam ficando mais baratas. Além disso, tem a vantagem de estar sempre na companhia dos amigos”, acredita o estudante de física da Unesp Adalberto Ribeiro, 22 anos, natural de Bady Bassitt, região de São José do Rio Preto.