Politicando

Vexame


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Por volta dos anos finais da década de quarenta, quando não havia ainda televisão nem informática, os meios de comunicação, obviamente, eram bem mais lentos.

Foi nesse tempo que, em bela noite de quermesse da matriz, que se localizava no final da Rodrigues Alves, que acabava justamente ali, atrás da hoje catedral e naqueles tempos matriz, surgiu um jovem logo muito bem acolhido por todos. Ele se vestia no rigor da moda da época, paletó saco, tipo “Tarzan filho do alfaiate”, como se dizia então, cabelos glostorados, sapato de duas cores e ainda por cima fumando um cachimbo, como os astros do cinema daquele tempo.

Chegou, acomodou-se em mesa de pista, as mais caras, comprou todas as rifas que lhe foram oferecidas, rematou tudo quanto foi leiloado, pelo mais alto preço, mandou correio elegante para todas as beldades presentes e até o padre agradeceu sua performance que tanto ajudou os elevados propósitos da quermesse beneficente.

Logo o referido cavalheiro recebeu convites para almoços e jantares de corretores, de vendedores de automóveis, propostas de negócios, chegou até a namorar uma das conspícuas senhoritas da nossa melhor sociedade, tendo já comprado automóvel.

Cerca de um mês depois, famoso jornal de São Paulo publicava, em manchete, que afinal nossa eficiente polícia tinha descoberto em Bauru, famoso assaltante de bancos, com retrato do dito cujo que era então o mais novo “queridinho” da sociedade bauruense.

Contado e testemunhado por Isolina Bresolin Vianna

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