A Secretaria de Obras levaria dez anos para concluir todo o trabalho de recapeamento necessário nas ruas de Bauru. A demanda é de cinco milhões de metros quadrados, sendo que a capacidade da administração municipal é fazer 500 mil por ano. “O problema está preso na dotação orçamentária”, explica Paulo Brittes, titular da pasta.
De acordo com ele, a cidade conta com apenas cinco equipes de tapa-buracos. Se uma delas tivesse passado pela quadra 19 da rua Rui Barbosa, no Jardim Bela Vista, o carro do comerciante Décio Reis Neto não teria afundado ontem num buraco aberto na via.
“Tinha um outro (buraco) na mesma rua. Desviei e passei do lado, mas (o asfalto) afundou. Rasgou o pneu e amassou a lataria”, comenta o motorista. Outra reclamação é do Ferradura Mirim. Giseli Moretti, presidente da associação de moradores do bairro, reclama de um buraco na rua 3 que, segundo ela, se continuar crescendo, vai “engolir” um poste e uma casa. “E não dá para tirar o carro da garagem. A gente quer que a prefeitura jogue terra no buraco e passe a máquina”, diz, também apontando risco das galerias pluviais da rua Natal Fornazari serem levadas pela enxurrada.
Também por causa de um buraco, um motociclista sofreu escoriações pelo corpo em um acidente na quadra 1 da rua Mara Lúcia Vieira ontem à noite. Ele não viu a sinalização e caiu no buraco aberto pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) para consertar um vazamento. “Demoraram 17 dias para consertar o vazamento e, quando consertaram, deixaram o buraco aberto”, reclama David Manoel Reis da Silva, morador da via.
A prioridade da Secretaria de Obras, no entanto, são as ruas com tráfego de ônibus. Essas, a grande maioria já foi atendida, explica Brittes. Ontem, as equipes estavam na rua José Henrique Ferraz.
A pasta enfrenta também um outro problema na recuperação das vias, além da queda-de-braço com “São Pedro”. Tem encontrado dificuldade para encontrar terra. Só para a recuperação da avenida Alfredo Maia serão necessários, pelo menos, 30 caminhões de terra.
Já o serviço de terraplanagem depende de apenas duas máquinas e quatro caminhões. Hoje, a equipe programou trabalho no Pousada da Esperança. Enquanto isso, continuará aberta a cratera de quase dois metros de profundidade, que tomou parte da quadra 3 da rua Maria José Cordovil de Souza, no Parque Nova Bauru, que não é pavimentada.
“Liguei para a prefeitura, para vereadores, mas ninguém resolve. Estava baixo (o buraco), mas com a chuva de ontem (anteontem) piorou”, comenta o analista químico aposentado Ismael Bueno dos Santos. O mesmo problema aflige a dona de casa Sandra Cruz, que mora na quadra 3 da rua Azor Garcia dos Santos, no Parque Jaraguá.
Segundo ela, a via de terra está quase intransitável por conta de dois buracos, que teriam sido provocados pela rede de esgoto. “Hoje (ontem), meu marido colocou um pouco de terra num deles. Aqui (no bairro) a única coisa que chega é conta para pagar. ”, comenta a dona de casa.
A assessoria de imprensa do DAE informa que os reparos serão providenciados hoje. De acordo com o órgão, as reclamações aumentaram 40%.