A produção rural de Bauru está concentrada na pecuária, fruticultura e no cultivo de hortaliças. As três atividades juntas, representam 74% da agropecuária praticada no município. Entretanto, a criação de gado para corte se destaca como carro-chefe nesse meio, com ocupação de 69% da área de 70 mil hectares do município.
De acordo com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Bauru – que forneceu os dados – cerca de 10.500 cabeças de gado estão confinadas entre 46.569 hectares e representam, ao ano, R$ 7,344 milhões de renda.
Conforme especialistas, a pecuária é impulsionada no município, em maior escala que as demais culturas agrícolas, por conta de três fatores principais: clima favorável, solo adequado e logística vantajosa.
Sérgio Mitsuo Ishicava, secretário interino da Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento, acredita que a atividade representa 20% da economia de Bauru.
“Não temos dados precisos, mas estimamos que a colaboração da atividade chegue a esse patamar. A quantidade de cabeças criadas em Bauru é muito expressiva”, completa.
O secretário ressalta que o solo predominante no município favorece o confinamento de gado. “Por ser arenoso, temos a presença de muito capim, que serve de alimento para os bovinos. Além disso, a cidade é muito bem servida por uma malha bem diversa de escoamento da produção”, acrescenta.
Os 70% de pastagens também elevam Bauru à posição de um dos maiores centros de comercialização de gado do País. “Esse destaque, em nível nacional, é resultado dos leilões que são promovidos na Grand Expo. Produtores do Brasil inteiro vêm para o evento, onde milhões são negociados”, comenta Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural do município.
Para ele, um dos fatores que incentivam a criação de bovino em Bauru é a estabilidade do preço do animal. Lima Verde destaca que, ao contrário das outras culturas praticadas nas terras do município, a arrouba do boi sempre apresenta estabilidade. “As verduras e frutas, não. Hoje elas podem sofrer uma alta de 5%, amanhã de 50%. Não dá para prever”.
A produção de frutas dentro da agropecuária bauruense atinge 4,5%, com destaque para a laranja, que soma 600 mil pés no município. São 3 mil hectares só de cultivo de frutas.
As hortaliças e verduras, que vêm na terceira posição do ranking agroindustrial de Bauru, ocupam uma área de 153 hectares, representando 0,2% da produção. Entre as espécies mais comuns estão a alface, couve, couve-flor e vagem.
“Apesar da expansão do gado, Bauru tem um potencial muito grande para a entrada de culturas agrícolas. O município não tem monocultura e a pecuária não dificulta a vinda de novas produções. Costumo dizer que, por conta da tamanha capacidade agrícola de Bauru, o município ainda está adormecido nesse sentido”, constata Maria Eugênia Gracia, ex-secretária de Agricultura e Abastecimento e assistente agropecuária da Cati em Bauru.
Perda de espaço
Apesar de os números serem satisfatórios à pecuária, o secretário interino da pasta municipal da Agricultura e Abastecimento, Sérgio Mitsuo Ishicava, acredita que a atividade começará a perder espaço, tanto territorial quanto no mercado. O motivo: o incentivo do governo ao álcool e ao biocombustível.
“A produção de cana-de-açúcar e de eucalipto, para reflorestamento, tem crescido muito em Bauru nos últimos anos. Agora, com os incentivos ao biodiesel, as oleaginosas também devem aparecer bastante”, avalia.
Para Maria Eugênia Gracia, assistente agropecuária da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Bauru, o incentivo de outras culturas agrícolas tem de ocorrer, principalmente por conta do número de empregos que pode oferecer, em comparação com a pecuária.
“Enquanto a criação de gado gera poucos empregos, a horticultura e a fruticultura absorvem até seis pessoas como mão-de-obra. Apesar da área de cultivo ser menor que a da pecuária, a empregabilidade chega a ser até 10% maior”, ressalta.
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Incentivo às cooperativas
O caminho da produção agroindustrial de Bauru será o associativismo. Pelo menos é o projeto que o secretário interino da pasta de Agricultura e Abastecimento, Sérgio Mitsuo Ishicava, tem para o setor apesar do prefeito Tuga Angerami já ter anunciado que a pasta será fundida com a de Desenvolvimento Econômico.
“Nosso objetivo é incentivar as famílias que sobrevivem da agricultura familiar a formar cooperativas para ingressar no mercado. Queremos motivar o desenvolvimento rural sustentável”, ressalta.
Para executar esse plano, Ishicava pretende intensificar treinamentos e orientações aos pequenos produtores. Até a viabilização de uma indústria de processamento de leite faz parte das novas medidas.