Foi preciso vender 7 milhões de CDs “Love. Angel.Music.Baby” para que o mundo finalmente encarasse a norte-americana Gwen Stefani como a verdadeira rainha do “bubble pop”, desbancando Britneys, Jessicas, Christinas e Nellys. Ou talvez isso tenha acontecido quando “Rich Girl” começou a tocar mundo afora. Ainda vocalista do No Doubt, Stefani faz seu rápido retorno, apenas dois anos depois de “Love.Angel” e de uma gravidez, e entrega seu segundo disco solo, “The Sweet Escape”, como que ávida a retornar ao pancadão.
Aos 37 anos, a cantora espertamente peneira no caldeirão de tudo o que vem sendo produzido na música pop, especialmente na terra de Bush, para alcançar o mesmo êxito do primeiro solo - que era mais 80’s e new wave.
Cercada de parceiros como Pharrell, do Neptunes, Akon e até mesmo Tim Rice-Oxley, vocalista do Keane, Stefani coloca sua personalidade loira platinada para desenhar canções R&B, pop rock, hip hop, dançantes ou mesmo baladas sem escorregar, a não ser por uma ou outra faixa menos inspirada.
“Love.Angel.Music.Baby” é ótimo, produzido com tudo no lugar certo e por isso mesmo fez um hit após o outro. “The Sweet Escape” tem o mesmo potencial, apesar de olhar mais para as paradas do que ao passado e ao futuro.
Praticamente todas as faixas têm um sabor conhecido - de Fergie e os Black Eyed Peas, dos Neptunes, de Beyoncé ou mesmo do No Doubt - e isso não é de todo ruim, porque Stefani sabe mexer seus botões para dar cobertura própria a esse bolo despretensioso e divertido.
A primeira música de trabalho é “Wind It Up” e prova como há coisa diferente por vir. Produzida pelos Neptunes, ela choca um batidão de hip hop com os “iodeleis” da trilha de “A Noviça Rebelde”. No material de divulgação, Stefani explica que a canção surgiu como música-tema para uma das coleções de sua marca de roupas, L.A.M.B. (cabrito).
“Eu sempre tive esse sonho: pegar ‘A Noviça Rebelde’ - que é um dos meus filmes favoritos e tem uma das minhas maiores inspirações, Julie Andrews - e colocar tudo em um disco, já que em tantas outras coisas eu usei esta referência. Daí eu pensei que colocar uma batida em ‘A Noviça Rebelde’ seria ridículo! Mas quando eu ouvi essa mistura, eu até chorei. Eu sei que isso soa ridículo, mas estava tão bom, tão novo e impressionante”, comenta a cantora.
Com o rappper Akon, Stefani gravou a faixa que dá nome ao disco, um delicioso encontro do hip hop dançante com o colorido dos anos 1960 (que já virou clipe e está disponível no site oficial, www.gwenstefani.com); e com Rice-Oxley, nasceu a bela e melancólica “Early Winter”. Mais pesada, “Orange County Girl” defende a cantora ainda como a mesma menina nascida em Anaheim, “vendendo maquiagem no shopping”. “Fluorescent” tem novamente os anos 80 e seu eletropop como referência, enquanto “Wonderful Life” está entre as melhores e mais pegajosas do disco, uma balada saudosista meio Depeche Mode.
“Now That You Got It”, por outro lado, não é nada além do que já fizeram metade das cantoras de pop R&B dos Estados Unidos, e a dançante “Yummy” tensiona demais as batidas para dar espaço a Pharrell sem tirar ninguém do chão.
Juntamente com “The Sweet Escape”, está sendo lançado no Brasil o DVD “Harajuku Lovers Live”, com o show de Stefani, banda e dançarinos em sua cidade-natal, Anahein, em Orange County, Califórnia.
E essa, sim, é prova definitiva que o posto máximo do “bubble pop” tem dona. Além de praticamente todas as músicas de “Love.Angel.Music.Baby”, a apresentação tem duas músicas do disco novo, extras com outras músicas e entrevistas.
“Durante a última turnê do No Doubt”, diz Stefani durante o show do DVD, “eu pensei: não seria legal fazer um disco de dance music? Não seria legal? E foi isso que eu fiz, mas não queria sair em turnê, mas vocês foram comprando o disco, comprando, e aqui estamos, para vocês”. Não soa populista porque a apresentação tem qualidade, espetáculo pop de primeira.