Apesar de ser permitido por lei há mais de dois anos, os medicamentos vendidos individualmente, os fracionados, não são encontrados em Bauru. De acordo com drogarias, os laboratórios ainda não oferecem produtos para a venda unitária.
A lei que permite a venda de medicamentos fracionados foi aprovada no início de 2005. O decreto que também libera a venda de remédios dessa forma em drogarias foi publicado no ano passado. Porém, os estabelecimentos comerciais de medicamentos ainda não oferecem essa alternativa aos consumidores. Apesar de liberada, a venda dos itens fracionados não é obrigatória.
Criado com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos, o fracionamento deveria contribuir para a promoção da saúde, de acordo com as informações do site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pois evita que os pacientes mantenham em sua casa sobras de remédios utilizados em tratamentos anteriores.
Porém, a indústria farmacêutica ainda não se adequou à proposta e não fornece os medicamentos fracionados às drogarias e farmácias. “Os laboratórios ainda não estão prontos para oferecer esse tipo de embalagem. É preciso mais bulas, embalagens diferenciadas; a drogaria tem que manter um espaço próprio para o fracionamento. Isso requer muito cuidado, porque lidamos com saúde”, observa Rui Pagano Júnior, proprietário de uma rede de drogarias em Bauru. Ele também aponta que a procura por remédios fracionados está reduzida.
A professora Fátima Aparecida Machado dos Santos conta que nunca precisou comprar remédios fracionados. “Ainda não precisei. Mas se for necessário, eu pediria com certeza”, afirma. Na opinião dela, a lei que permite a venda de remédios de forma individual é positiva.
O farmacêutico José Roberto Cortez explica que as cartelas de comprimidos devem vir serrilhadas, possibilitando a venda das unidades, sem interferir na qualidade do medicamento. “Atrás de cada um, deve vir o número do lote e a data de validade do medicamento”, explica. Além disso, o laboratório deve fornecer uma bula para cada um dos comprimidos da cartela. Cortez lembra que os médicos devem especificar nas receitas a quantidade de remédios que o paciente deve levar.
Ele conta que a drogaria onde trabalha, na esquina das ruas Ezequiel Ramos com a Treze de Maio, também não vende os remédios fracionados. “Estamos esperando os laboratórios, que são nossa base, fornecer”, diz.