Agudos - O Instituto Técnico e Educacional para Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo (Itetresp) em Agudos (18 quilômetros de Bauru) recebeu ontem cerca de 100 representantes de sindicatos rurais da região e do Estado que discutiram a pauta para a lavoura canavieira deste ano. Entre os assuntos discutidos estavam a melhoria nos benefícios aos trabalhadores rurais, o preço da tonelada da cana-de-açúcar e o reajuste no salário dos trabalhadores do setor.
Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp), Braz Albertini, durante a reunião foi feito um “nivelamento” com os representantes dos sindicatos sobre assuntos como salário, transporte, alimentação, jornada de trabalho e folgas dos trabalhadores. Além disso, também foi discutida a fiscalização no setor.
Atualmente, existem em torno de 208 mil cortadores de cana trabalhando no Estado de São Paulo, incluindo aqueles que vêm de outros Estados. O salário médio de um cortador de cana gira em torno de R$ 650,00.
Na reunião de ontem, os dirigentes sindicais propuseram, inicialmente, piso de R$ 950,00 para o trabalhador rural, a partir de 1 de maio, além de participação nos lucros das empresas. “É um pedido, uma reivindicação, que nós não sabemos se vai ser atendido”, comenta o advogado Pedro José de Araújo Neto, responsável pelo departamento de assalariados da Fetaesp.
Segundo ele, também foi debatida a questão do seguro de vida do trabalhador rural da lavoura de cana. Ao contrário do ano passado, em que o pagamento de seguro de vida era facultativo às usinas, neste ano, segundo o advogado, a Fetaesp deve “brigar” pela obrigatoriedade do benefício junto à entidade patronal, representada pela Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp).
“Nós vamos bater na obrigatoriedade (do seguro). Na cultura diversificada e da laranja nós já temos a obrigatoriedade. Na da cana é que nós estamos nesta luta pelo seguro obrigatório”, comenta Neto.
Outro ponto discutido no encontro em Agudos foi a questão do controle de produção do trabalhador. Neto explica que a Fetaesp colocou em pauta a necessidade do trabalhador ter o direito de ser acompanhado por um representante do sindicato da categoria no momento da contagem da produção.
Atualmente, a contagem é feita por representantes da própria usina.
“Nós fizemos esta discussão. Trata-se de um nivelamento em nível do Estado. Cada dirigente sindical leva as pautas discutidas aqui para o seu município, faz uma assembléia com os trabalhadores - para ver se eles concordam ou alteram alguma coisa - e depois mandam esta pauta para a parte patronal e inicia o processo de negociação dentro do acordo coletivo com os usineiros e fornecedores”, explica Albertini.
Também foi sugerido um preço referência para a tonelada da cana-de-açúcar com 18 meses no valor de R$ 5,00, sendo que atualmente ela é cotada em R$ 2,57. Para outros cortes, de menor tempo, foi sugerido o valor por tonelada de R$ 4,50 contra os atuais R$ 2,44.
Além dos representantes de cerca de 100 sindicatos rurais do Estado, a reunião contou também com a participação de cerca de 40 trabalhadores rurais, que puderam opinar sobre as pautas levantadas.