Política

Aeroclube diz ser dono da área, mas prefeitura nega

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente do Aeroclube de Bauru, Fábio Freire Lara, questionou os dados apresentados ontem pelo vereador João Parreira de Miranda (PSDB), de que a Prefeitura é proprietária de 90% da área onde está abrigado o Aeroclube, na Zona Sul. Parreira e os vereadores Futaro Sato (PDT), Primo Mangialardo (PV) e Toninho Garmes (PSDB) defendem a revisão, por parte da Prefeitura, da situação do local. Mas Lara afirmou que “mais de 100% da área pertencem ao Aeroclube”, informação que é contestada pela própria Prefeitura de Bauru através de documentos.

A questão sobre a posse do terreno foi levantada no início do mês pelo JC quando o vereador Futaro Sato encaminhou ao prefeito Tuga Angerami (sem partido) um requerimento no qual defendia a venda de parte da área onde está o Aeroclube. Ele quer que os recursos dessa operação sejam destinados ao Fundo Municipal de Infra-estrutura, com prioridade para aplicação da verba em pavimentação.

Na época, Sato disse que o município era dono de cerca de 70% da área. Anteontem, o vereador João Parreira garantiu que a cidade, na realidade, é dona de cerca de 90% dos terrenos nos quais está localizado o Aeroclube.

Através de um levantamento, Parreira constatou que o município possui entre 90% e 93% da área do Aeroclube, ou mais de 500 mil metros quadrados, segundo estimativa do vereador.

A diferença entre a afirmação do parlamentar e do representante do Aeroclube é que ele reuniu documentos sobre o caso. Com isso, ele afirma que a Prefeitura tem títulos registrados em cartórios, comprovados, e o Aeroclube de Bauru seria dono apenas de uma faixa de terra do lado da avenida Otávio Pinheiro Brisola.

Para o presidente do Aeroclube, os vereadores não sabem o que estão dizendo e não têm como comprovar que a área é da Prefeitura. “Vereador fala o que quiser. O terreno pertence ao Aeroclube em sua totalidade, ou seja, 100% da área, desde a alameda Otávio Pinheiro Brisola até a avenida Getúlio Vargas”, disse.

De acordo com Lara, os parlamentares se enganaram e para provar que a área em questão pertence ao Aeroclube, será feito o levantamento de toda documentação. “Nós não reconhecemos que tenha fundamento o que foi falado”, disse.

Lara comentou ainda que os documentos citados por Parreira seriam dúbios e não comprovariam que o espaço ocupado pelo Aeroclube pertence ao Município. “Não vi esses documentos e acho que eles podem ser considerados, no mínimo, dúbios”, ressaltou.

Apesar dos questionamentos, Lara afirmou que o Aeroclube não pretende tomar nenhuma atitude com relação às argumentações dos vereadores. Segundo ele, só se tomará alguma atitude se a Prefeitura acatar as solicitações dos vereadores e tentar vender as áreas reclamadas pelos parlamentares.

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Destinação da área

A Prefeitura de Bauru vai acompanhar de perto o encerramento das atividades do Aeroclube, para depois decidir o que fazer com a área, que a administração reconhece como de propriedade do Município.

O prefeito Tuga Angerami (sem partido) informou, através da assessoria de imprensa, que à medida em que o antigo aeroporto deixar definitivamente de receber vôos comerciais, a administração terá que fazer uma análise que levará em consideração quantas pessoas seriam beneficiadas com a manutenção da estrutura atual, já que praticamente a totalidade daquela área pertence à Prefeitura.

A assessoria informou que a discussão será acompanhada pela Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos e “abordará quais são as destinações possíveis para uma gleba daquele tamanho, localizada em região valorizada da cidade”.

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