Bauru importou mais em 2006. Com o dólar baixo, as empresas aproveitaram para modernizar tecnologias e o consumidor, em geral, teve a oportunidade de optar por produtos importados, que antes não ofereciam preços tão acessíveis.Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o investimento do município em produtos internacionais foi 165% superior que registrado um ano antes. Foram aplicados US$ 56,5 milhões na compra de produtos estrangeiros contra um total de US$ 21,2 em 2005.
Enquanto a importação sofreu um efeito gangorra, as exportações permaneceram estáveis. Em 2006 o município exportou US$ 83,6 milhões. Já em 2005, o volume enviado ao Exterior atingiu US$ 83,9 milhões. A variação, de um ano para o outro, foi de – 0,39%.
Esses resultados, na opinião de Ricardo Coube, diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), foram motivados, em parte, pela importação de bens de capital, principalmente de máquinas industriais. Para ele, muitas empresas que operam no município fizeram a renovação do parque industrial. E os investimentos dessas companhias foram substanciais e ajudaram a puxar para cima o volume de importações gerado em Bauru.
Com o câmbio baixo, o custo do equipamento trazido de fora fica menor. “Essas empresas estão aproveitando o fator câmbio, de forma construtiva, para modernizar e diversificar seus maquinários. A iniciativa contribui para aumentar a oferta e oferecer produtos mais adequados com valor final mais baixo e competitivo”.
O momento cambial que vive a economia brasileira foi uma coincidência positiva para uma indústria de baterias de Bauru modernizar seu parque fabril. De acordo com Rodrigo Caminha, diretor de comércio exterior da empresa, a importação de novas máquinas foi motivada pela necessidade de aprimorar a tecnologia.
“O câmbio não foi um fator decisivo para esse investimento, mas não deixou de ser positivo. A redução do custo foi substancial. Por outro lado, esse câmbio complica as nossas exportações. Perdemos competitividade, especialmente com os asiáticos”, diz o diretor da empresa.
Máquinas
Na avaliação do presidente do Ciesp, a importação de matéria-prima e de produtos acabados, a exemplo das máquinas industriais, também foi significativa. “Principalmente de produtos chineses para revenda, que entram e tiram emprego nosso, gerando vagas em outros países”, constata.
Para os especialistas, três fatores principais explicam a sustentação da atual conjuntura. Um deles é o câmbio baixo, ou seja, a maior valorização do real sobre o dólar. Segundo eles, essa tendência desfavorece as exportações porque, no momento da conversão das moedas, de dólar para real, as indústrias brasileiras amargam grandes prejuízos. Embora seu valor esteja em baixa, o dólar continua valendo mais que o real, o que significa menor faturamento para o exportador brasileiro.
“Com o dólar nessa situação, perdemos a competitividade. Nosso produto não é vendido lá fora e não compensa exportar, porque você acaba trocando por muitos menos reais”, ressalta José Miranda Simonelli, coordenador do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru.
“Há 3 anos, quem exportava US$ 100 mil, transformava esse valor em R$ 280 mil. Quem está exportando essa mesma quantia hoje, transforma em R$ 214 mil. E essa conversão tem de ocorrer porque somos pagos em real, o salário, o fornecedor”, acrescenta.
Associados ao câmbio, estão a carga tributária elevada e a abertura comercial brasileira para o mercado internacional, principalmente da China e da Índia.