Economia & Negócios

Economista alerta que compras no Exterior não gera empregos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

O economista Mauro Fernando Gallo lembra que a política econômica brasileira prevê carga de tributos menor para mercadorias que são produzidas no Exterior e importadas para o País. Por isso, algumas empresas brasileiras instalan fábricas em outros países para fugir da alta carga tributária.

A maior parte dessas mercadorias corresponde a bens finais, que são importantes fontes de geração de emprego. Entre eles estão produtos do comércio, como roupas, brinquedos e outros acessórios. “Se a empresa está trazendo produto de outro país, ela também está importando trabalho de fora. Estamos deixando de gerar trabalho aqui (no Brasil)”, analisa.

Na visão do economista, as indústrias de transformação já perderam mercado fora do Brasil e agora estão perdendo dentro do próprio País. “O mercado interno está sendo atingido pelas importações, principalmente de produtos acabados”, completa.

Gallo atribui à carga tributária um dos principais fatores que incentivam à importação. “Se aqui dentro tenho uma carga (de impostos) violenta e lá fora outra, que por sinal é muito menor, vou procurar o lugar onde posso produzir mais barato. No Brasil, temos que trabalhar mais de quatro meses só para pagar tributos”, diz o economista. As possíveis conseqüências da atual conjuntura não são nada otimistas na opinião do especialista.

Ele alerta para a possibilidade de extinção de empresas, redução de postos de trabalho e de mais perda de tecnologia para o Exterior por conta das companhias que buscam outros países para produzir sob um custo menor que teriam no Brasil.

José Miranda Simonelli, coordenador do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru, compartilha a constatação do economista.

“Minha expectativa é sombria. O governo ainda preserva a visão monetarista do controle da inflação, mesmo que seja às custas da desindustrialização e do desemprego”, destaca.

Para ele, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal no mês passado, não será suficiente para mudar o cenário da importação no País. “O PAC deixou muito a desejar para as pequenas e médias empresas, que são a maioria e precisam de mais incentivos para sobreviver”.

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