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Com base dividida, Chinaglia vence

Folhapress
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São Paulo - Apoiado por um megabloco partidário, o petista Arlindo Chinaglia (SP) venceu a eleição para a presidência da Câmara. Com 261 votos, Chinaglia superou Aldo Rebelo (PC do B-SP) no segundo turno da eleição. Foram contabilizados ainda seis votos em branco. O pleito foi para o segundo turno porque nenhum dos três candidatos conseguiu metade mais um dos votos dos 512 deputados que votaram na eleição realizado ontem - seriam necessários 257 votos. No primeiro turno, Aldo obteve 175 votos, enquanto Chinaglia ficou com 236 votos.

O candidato da terceira via, Gustavo Fruet (PSDB-PR), foi derrotado no primeiro turno com 98 votos. Foram computados ainda três votos em branco. O megabloco de Chinaglia é formado por PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC e PT do B. Essa costura foi criticada por tradicionais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). “O presidente Lula disse que queria um eixo de centro-esquerda no seu governo. Nós levamos isso a sério. O PT não fez eixo de centro-esquerda, mas de centro-direita”, afirmou ele anteontem.

O racha na base aliada foi criticado por aliados fiéis de Lula. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro de Lula, rebateu a declaração do presidente sobre o racha na base aliada provocado pela disputa de Aldo e Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. Ciro disse que a disputa no segundo turno só serviu para “sangrar um pouco mais a base aliada”. “É algo abaixo da sensatez”, afirmou o ex-ministro da Integração de Lula.

Perfil

Chinaglia diz que foi ele quem iniciou o ex-ministro Antônio Palocci na política, nos anos 70, quando presidia o Sindicato dos Médicos de São Paulo. “De lá para cá o Palocci se tornou um craque. Não porque é inteligente, mas porque é calmo. Isso é um perigo”, afirma. A calma do antigo pupilo é um objetivo que Chinaglia persegue e não alcança. Às vezes, parece sofrer de “dupla personalidade política”. Dentro do PT, é um articulador hábil, que convive bem com todas as tendências, sem grandes inimigos internos. Uma façanha. Fora das instâncias partidárias, Chinaglia é explosivo. Mandou Aécio Neves (PSDB) “calar a boca” numa discussão em 1998. Ameaçou “dar porrada” em José Lourenço (PFL-BA) numa sessão sobre reforma da Previdência. Já trocou barrigadas com Inocêncio Oliveira (PR-PE) no plenário. Em 1995, o ano em que estreou na mídia nacional, denunciou fraudes no caso Sivam e derrubou o então secretário de Acompanhamento Econômico, José Milton Dallari.

No governo FHC, se havia alguma chance de CPI, era com ele. Tentou emplacar várias, geralmente sem sucesso. A experiência lhe valeu um lugar de destaque na operação-abafa montada em 2005, quando estourou o escândalo nos Correios. “Eu já estive do outro lado, sei do poder que o governo tem”, disse, à época.

Petistas o classificam como um obstinado, mas que toma cuidado para não avançar a um ponto que não permita reconciliação futura. Já esteve do lado oposto a figuras de proa do partido: José Dirceu, Marta Suplicy, José Genoino, e Ricardo Berzoini. Hoje, todos o apóiam. Nomeou Cândido Vaccarezza (PT-SP), antigo rival, coordenador da campanha.

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