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Apae cria jardim com texturas e sons

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru inaugura depois de amanhã o jardim sensorial da entidade. Com muitas texturas, sons e aromas, o espaço tem como objetivo despertar os sentidos e sensações dos alunos e oferecer um espaço relaxante aos pais e usuários. A proposta da Apae para 2007 é focar o acolhimento dos portadores de deficiência e suas famílias, oferecendo novos espaços de atendimento e projetos, como os de profissionalização em informática e lavanderia.

Nesta segunda-feira, os 500 alunos da Apae reiniciam as aulas. São crianças e adolescentes portadores de síndrome de Down e autismo de Bauru e cidades que não possuem unidades da instituição, como Avaí e Piratininga. Além dos alunos, a entidade mantém um centro de reabilitação, freqüentado por 250 pacientes da cidade e região.

De acordo com Vânia Grassi, diretora técnica da entidade, a Apae Bauru vai pôr em prática diversos projetos em 2007. Um dos primeiros é o jardim sensorial, inspirado no do Jardim Botânico, do Rio de Janeiro. “Nossa equipe procurou informações sobre esse tipo de jardim e verificamos que existem muito poucos no Brasil. Se não me engano, só existem outros três no País”, conta a diretora.

O jardim é um espaço que começou a ser construído no final do ano passado com a ajuda de doações de diversas empresas e também da Secretaria Municipal do meio Ambiente (Semma), que ofereceu as mudas. O espaço explora as cinco sensações. Viveiros de pássaros, um senhor dos ventos e fonte de água com peixes e plantas estimulam a audição. Mais de 40 plantas medicinais e aromáticas despertam o olfato. Formas, cores e um design agradável para a visão.

No chão, diferentes tipos de pedras, cascalho e até areia para estimular o tato do usuário que caminhará descalço. Para os cadeirantes, as texturas foram colocadas nos corrimãos. O paladar pode ser testado na cozinha da entidade. “Os usuários podem colher a hortelã e fazer um chá ou utilizar o manjericão em um alimento”, conta Grassi.

As plantas também podem ser tocadas, para que os usuários sintam as diferenças das folhagens. O jardim ganhou até um mascote, a calopsita Cisquinho, apelido da ave que foi batizada com o nome de São Francisco de Assis.

Uma das primeiras a curtir o novo jardim foi a pequena Amanda Aparecida da Silva, 2 anos. Acompanhada pela mãe Ângela e da fonoaudióloga Vergínia Villar, ela caminhou pelos diferentes tipos de pedras e brincou com o pássaro. O cadeirante Samuel Andrade pôde sentir a diferença de textura nos corrimãos de bambu, cheios de pedras diferentes.

Para Silva, a filha gostou do novo espaço. “Ela adora a Apae. E com certeza gostou bastante do jardim”, diz. A mãe conta que Amanda freqüenta a entidade duas vezes por semana. Para ela, a novidade também vai agradar aos pais. “O lugar ficou muito mais bonito”, diz.

De acordo com Grassi, com a inserção dos portadores de deficiência leve na rede de ensino, a Apae passou a receber casos de multideficências e foi preciso adotar uma nova estratégia para conseguir atingir esse novo usuário. Para isso, a entidade aposta em novos espaços.

“Procuramos oferecer locais mais agradáveis não só para os usuários, mas também para os pais. É muito melhor que eles assistam as terapias dos filhos em um espaço que foge do ambiente hospitalar”, observa a diretora.

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