Desde que a leishmaniose se converteu em epidemia, os cães de Bauru passaram a viver sob risco constante de morte. Por um lado, o perigo vêm da própria doença, que é capaz de matar animais desnutridos ou que têm saúde debilitada.
Mas quando são picados pelo mosquito palha, os cachorros passam a conviver com uma ameaça ainda maior. É que animais contaminados se transformam numa espécie de fonte de infecção para seres humanos. Basta que um inseto pique um cão contagiado e voe alguns metros adiante para repetir o gesto em algum ser humano, e pronto. As chances de que essa pessoa venha a adoecer são grandes.
Para evitar que o problema se alastre ainda mais, a Secretaria Municipal de Saúde resolveu apelar para uma medida radical. Todos os cães infectados estão sendo sacrificados, independente de manifestarem ou não os sintomas da doença. A “solução” é drástica e vem tirando o sono dos defensores dos animais.
“A prefeitura está buscando o caminho mais cômodo, que é o de matar os cães. Por que ela não faz alguma coisa para acabar com esse lixo espalhado pelas ruas, por exemplo? Isso evitaria que o mosquito se proliferasse”, questiona Maria Dolores Barbosa Gomez, vice-presidente da União Internacional Protetora dos Animais (UIPA).
O chefe da seção de controle de zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez, reconhece que a medida não é das mais agradáveis. “Infelizmente a única alternativa eficaz que possuímos no momento é acabar com a fonte de infecção, ou seja, os cães contaminados”, diz ele, que é veterinário.
De acordo com ele, medidas de fundo socioeconômico, como a diminuição da quantidade de lixo espalhada na periferia da cidade, estão fora do alcance da secretaria de saúde. Atualmente, a maior parte dos sacrifícios é feita no próprio Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), no Jardim Redentor, zona leste de Bauru.
Após serem submetidos a exames, os cães comprovadamente infectados são encaminhados para uma sala onde recebem uma grande dose de anestésico. “Após a injeção, os animais entram em estado de sono profundo e morrem. Essa é a forma menos dolorosa de eutanásia disponível atualmente - se é que existe alguma que realmente não causa dor.”, diz Cortez.