Os casos de violência contra animais são incontáveis em Bauru. Basta conversar com membros das Organizações Não-Governamentais (ONGs) de proteção ambiental para que as histórias surjam aos montes.
Assassinatos e formas extremas de violência é o que não faltam. A empresária bauruense Damair Pereira de Almeida faz parte da Sociedade de Proteção Animal Mountarat, que lida com bichos de grande porte. Algum tempo atrás, ela e os companheiros de ONG receberam a denúncia de que um cavalo estaria sendo maltratado na Vila São Paulo.
Quando foram checar a informação, ficaram chocados. “Um homem havia comprado um cavalo que não havia ainda sido domado para puxar carroça”, recorda. Depois de várias tentativas frustradas de atrelar o animal ao veículo, relata, o dono perdeu a paciência. “Ele jogou combustível no cavalo e ateou fogo”, conta Almeida.
Os membros da Mountarat conseguiram resgatar o eqüino a tempo. Hoje ele vive em um sítio e manca de uma perna. Mas nem todas as vítimas de violência conseguem escapar com vida.
Em outra ocasião, Almeida foi chamada para socorrer um bicho que teria sido esfaqueado. “Foi na Vila Santa Clara. Um carroceiro teve o animal roubado e foi pedir um cavalo emprestado ao vizinho, para poder trabalhar. Só que recebeu um não como resposta”, diz.
O homem resolveu não deixar barato. “À noite, ele foi até o quintal do vizinho e abriu a barriga do cavalo com uma faca. Quando cheguei lá o bicho estava já estava agonizando, com os órgãos à mostra”, diz.
Atitudes sádicas são recorrentes entre aqueles que maltratam animais. A vice-presidente da União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), Maria Dolores Barbosa Gomez, recorda o caso de um cão que teve os órgãos genitais decepados por um homem no Parque Bela Vista.
“O cidadão ficou nervoso porque a cadela dele estava no cio e o cachorrinho entrou no quintal para cruzar com ela”, relembra Gomez. O proprietário do imóvel apanhou um pedaço de madeira e correu em direção ao animal, na tentativa de espancá-lo.
“Só que o cãozinho fugiu e ficou preso na cerca. O homem foi até a cozinha, pegou uma faca e fez a mutilação”, conta. Após a agressão, o homem simplesmente jogou o cachorro pelo muro, para que ele morresse na calçada.
“Não deu para salvar”, lamenta Gomez. Desde que entrou para UIPA, há cerca de 20 anos, Lola, como costuma ser chamada pelos amigos, já se deparou com animais vítimas das formas mais variadas de agressão. “Eu tinha aqui comigo uma cachorrinha que ficou cega porque o antigo dono apagou um cigarro no olho dela”, afirma. Casos de abusos sexuais também são bastante comuns. “O povo anda mais degenerado do a gente pode imaginar”, diz ela.
Isso sem contar os inúmeros casos de bichos abandonados pelas ruas da cidade e o fato de que os maus-tratos a animais não se resumem a agressões físicas e negligência. “As pessoas pensam que violência é apenas bater ou não dar comida. Na verdade o bicho também pode sofrer diversos tipos de agressões psicológicas. O simples fato de não ter carinho do dono já é um fator que causa prejuízos ao bem-estar do animal”, explica o advogado José Hermann Schroeder, advogado da ONG bauruense Naturae Vitae.
As entidades de proteção aos animais vêm apelando para ações criminais contra proprietários, na tentativa de combater os maus-tratos. “Só que os crimes ambientais são considerados de menor poder ofensivo. No máximo o dono é condenado a prestar serviços para a comunidade”, afirma Schroeder.