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São Paulo poderá perder 18 praias

Por Cláudia Collucci e José Ernesto Credendio | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Pelo menos 18 praias do litoral paulista correm o risco de desaparecer nos próximos anos se a erosão não for contida, aponta estudo do Instituto Geológico de São Paulo, órgão ligado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente que monitora os 600 quilômetros da costa. No litoral norte paulista, entre as praias com alto nível de erosão e que diminuíram de tamanho está Caraguatatuba, que perde três metros de areia por ano. No litoral sul, outro caso dramático é a praia do Gonzaguinha (São Vicente). Nos últimos 40 anos, “sumiram”, em média, três metros por ano.

O aquecimento do planeta, a ocupação desordenada da costa (que não respeita o que os especialistas chamam de pós-praia) e a retirada de areia para uso em pavimentação e aterros sanitários são fatores que explicariam a diminuição das praias. As soluções, segundo especialistas, passam pela mudança no traçado das avenidas e das estradas que “comeram” parte das praias, pela desocupação de imóveis irregulares e pela devolução da areia retirada.

A erosão não se restringe a São Paulo. Afeta, em maior ou menor escala, cerca de 40% dos 8.500 km da costa do País, diz Dieter Muehe, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador da publicação “Erosão e Progradação do Litoral Brasileiro”. Muehe atribui a degradação não só à ação humana mas também às condições climáticas dos últimos anos, com as sucessivas ressacas que atingiram a região Sul do País.

Desde agosto de 2005, houve quatro ciclones extratropicais - fenômeno climático que causa ressacas - de intensidade extrema no Sul, afirma o meteorologista Eugenio Hackbart, da MetSul Meteorologia. Foi numa dessas ressacas, no final do ano, que a praia da Enseada, a maior do Guarujá, sofreu prejuízo na ordem de R$ 2 milhões, com a destruição de quiosques, iluminação e parte do calçamento. “O que é do mar é do mar”, resume o oceanógrafo Fabrício Gandini

Causas

Aquecimento global, com a elevação do nível dos oceanos, aumento da intensidade e da freqüência das ressacas nos últimos anos, ocupação irregular da orla e mudanças provocadas pelo homem nos rios que deságuam no mar são apontados por especialistas em climatologia e fenômenos marinhos como causas mais prováveis da redução das praias.

Coordenador do projeto que mapeou o problema em todo o país, Dieter Muehe, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), projeta um cenário sombrio nos próximos anos, mas não se arrisca a falar do futuro mais distante. “Tivemos no País fenômenos meteorológicos muito severos. A médio prazo, a tendência é que o problema aumente. Mas é difícil separar o que é fenômeno do que é tendência”, diz.

Um levantamento realizado pelo meteorologista Eugenio Hackbart, da MetSul Meteorologia, referenda as ressacas como uma causa do problema. Desde agosto de 2005, houve quatro ciclones extratropicais - fenômeno climático que causa ressacas - de intensidade extrema no Sul do país. “A redução na faixa de areia neste verão em praias gaúchas foi conseqüência de um ciclone excepcionalmente intenso.”

Segundo a pesquisadora Célia Regina de Gouveia Souza, do Instituto Geológico, o nível do mar no litoral paulista subiu 30 cm no século 20, contra uma média de 10 cm no resto do mundo, no período. “Quando o nível do mar sobe, as águas empurram a praia para dentro do continente. Se ela encontra uma mureta, um calçadão, entra em desequilíbrio, acaba sumindo”, explica Souza.

Barragens que retêm sedimentos que os rios levam para o mar e equilibram as praias são outro motivo da degradação, diz o diretor de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Rudolf de Noronha. “O contrário também acontece. Quando os rios levam um excesso de areia, o desenho das praias é afetado”, diz.

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