No Brasil, quando fala-se em poupar logo vem à mente a idéia de aplicar o dinheiro na caderneta de poupança. Até por uma questão cultural, essa tem sido a alternativa mais comum adotada pela população. Mas com a queda da inflação e a estabilidade econômica do País, a poupança deixou de ser uma aplicação rentável. Nos últimos quatro anos, o grande negócio tem sido investir em ações na Bolsa de Valores.
De 2003 para cá, o índice Bovespa subiu quase 300%. Ou seja, quem aplicou dinheiro em ações de empresas brasileiras ganhou muito dinheiro. Enquanto isso, os investimentos em renda fixa renderam 96% e a poupança 42% no mesmo período.
Apesar dos números, ainda é grande a resistência, principalmente dos pequenos investidores, em investir na Bolsa de Valores. Uns imaginam que para investir em ações é necessário uma grande soma em dinheiro. Outros não investem com medo de um dia perder tudo, já que a oscilação da Bolsa é constante.
De acordo com o consultor financeiro Fábio Freire Lara, depois que a Bovespa iniciou o projeto de popularização da Bolsa, há cinco anos, as pessoas começaram a perceber que o mercado de ações não era coisa apenas para milionários. “O segmento que mais cresce hoje na Bolsa é o de pessoas físicas”, afirma ele.
Mesmo assim, Lara destaca que ainda persiste entre a população a imagem de que só pode aplicar em ações quem tem bastante dinheiro. Dono de uma corretora de valores em Bauru, ele garante que a imagem não corresponde à realidade. Segundo ele, não existe valor mínimo para o investimento na Bolsa. “Se um cliente quiser, ele pode começar comprando uma ação no valor de R$ 6,00.”
Segundo o consultor, também não existe prazo mínimo para a aplicação. Se o investidor compra uma ação e dois minutos mais tarde decide vendê-la, ele pode fazer isso sem nenhum impedimento. “O período de aplicação é o investidor que decide”, informa Lara. Segundo ele, a venda das ações é rápida.
Outro ponto que conta a favor da aplicação na Bolsa, na avaliação do consultor, é a tributação. Segundo ele, se as vendas das ações não ultrapassarem os R$ 20 mil durante o mês, o investidor está isento do pagamento do Imposto de Renda. Se o valor sacado for superior a isso, a tributação será de 15% sobre os rendimentos.
Segundo Lara, o acesso às informações sobre a cotação das ações também ficou mais fácil, assim como a operação de compra e venda dos papéis.
O acompanhamento pode ser feito pela Internet. Não é preciso assinar nenhum serviço para acompanhar o pregão online. As próprias corretoras disponibilizam isso. Há também o chamado home broker. A partir do momento que o cliente está cadastrado, ele entra com uma senha e consegue acompanhar o pregão em tempo real pela Internet.
O investidor pode usar o home broker para comprar e vender ações. Se preferir, ele pode fazer isso por meio da corretora de valores. É só ligar para o corretor e passar a ordem de compra ou venda.
Neste caso, ele entra numa tabela onde a taxa (corretagem) varia de acordo com o volume operado. A porcentagem varia de 2% a 0,5%. Quanto maior o valor movimentado, menor é a taxa cobrada. Até R$ 500,00 é debitado 2% do valor. De R$ 501,00 a R$ 1,5 mil a taxa é de 1,5%. De R$ 1.501,00 a R$ 3 mil é cobrado 1%. Para valores superiores a esse é cobrada a taxa mínima. Segundo Lara, a tabela é da Bovespa.
Já quem opera pelo home broker (operadora virtual), paga uma taxa fixa de R$ 14,90 para cada operação de compra ou venda.
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Risco baixo
Para o investidor poder operar na Bolsa de Valores é preciso se cadastrar em alguma corretora. No site da Bovespa, existe uma relação das empresas que estão autorizadas a operar na compra e venda de ações. Em Bauru existem duas: a Planner e a Solidez.
Segundo o consultor financeiro Fábio Freire Lara, não existe o risco de uma corretora quebrar e o investidor ficar sem o dinheiro. Isso porque o investimento fica guardado na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), órgão ligado à Bovespa.
Quando o cliente compra uma ação por meio de uma corretora, o investimento fica registrado no nome dele na CBLC. “Se a corretora quebrar, se ela fechar, se o dono morrer, se pegar fogo, não acontece nada com as ações, porque elas estão guardadas na Bolsa em nome dele”, afirma Lara.
No entanto, essa prestação de serviço da CBLC não é de graça. Ela cobra uma taxa fixa mensal de cada investidor no valor de R$ 5,40. Por esse motivo, Lara revela que não compensa ter um valor muito baixo aplicado. “Quem tem R$ 100,00, por exemplo, se as ações não renderem 5% ao mês ele vai perder dinheiro. Para quem tem um valor maior, a taxa representa um impacto menor”, diz ele.
Para abrir uma conta em uma corretora de valores é preciso CIC, RG e comprovante de residência. O cadastro é totalmente gratuito. O cliente só paga quando começa a operar.