A atitude do engenheiro mecânico Roberval Húngaro Tamarozzi, que contratou por conta própria uma máquina para consertar a rua de terra em frente à sua casa, ganhou destaque na imprensa e tornou-se símbolo de um movimento que, aos poucos, vai crescendo na cidade. Cansados de esperar por providências do poder público, moradores estão arregaçando as mangas e mudando, eles próprios, a realidade do Município.
A sessão de cartas do Jornal da Cidade também tem sido ocupada por pessoas que já perceberam que ficar reclamando do que não foi feito não adianta. “Reclamar e ficar de braços cruzados, definitivamente, não transforma nada e também não muda nada. Precisamos colaborar”, escreveu a professora de educação infantil Rosa Inês Ungaro Verinaud.
Se o poder público não consegue cuidar de todas as praças da cidade, tem moradores que estão fazendo isso. Se a prefeitura não mantém a cidade limpa, lá está um grupo recolhendo a sujeira produzida pelos moradores que não se dão ao trabalho de jogar o lixo no lixo.
Se a prefeitura não é capaz de tampar todos os buracos e carpir o mato alto que proliferam por todos os cantos, sempre vai ter alguém disposto a fazer isso. Como aconteceu em frente ao residencial Manoel Lopes, na Vila Giunta, onde o síndico, Marcos Vilela, usou parte do material utilizado nas benfeitorias do condomínio para tampar os buracos que tanto atormentavam os moradores.
O consultor de tecnologia da informação Marcelo Moreno, por sua vez, separou três dias da semana para se colocar à disposição da cidade para trabalhos voluntários. Segundo ele, toda terça e quinta-feira à noite e no sábado de manhã, seu tempo é reservado para fazer algo de bom para Bauru. Para Moreno, se outras pessoas fizessem o mesmo, a cidade não teria tantos problemas. Parte desse tempo, ele utiliza para abastecer um site com notícias sobre o que há de bom e ruim em Bauru.
Na opinião dele, existe muita gente disposta a dar sua colaboração, mas falta organizar essa mão-de-obra voluntária em benefício da cidade. “Quando os problemas não são resolvidos com rapidez, eles vão se acumulando até a situação ficar insustentável”, diz ele. “Por isso, quanto mais pessoas estiverem dispostas a ajudar, mais rápido esses problemas serão solucionados.”
De acordo com ele, o brasileiro é muito bom para organizar churrasco, pois cada participante leva uma coisa e a festa fica completa. “É preciso de iniciativas como essa também para os trabalhos sociais”, compara Moreno.
Para a professora Rosa Inês Ungaro Verinaud, a população já vai dar uma grande colaboração se fizer a destinação correta para o lixo. “A coisa que mais me irrita é ver pessoas jogando papel no chão”, afirma.
A dengue e a leishmaniose, por exemplo, são doenças provocadas, em parte, pela falta de cuidados com a limpeza. A colaboração dos moradores, neste caso, é fundamental. “Não tem como culpar só a prefeitura quando é registrado um caso de leishmaniose”, cita ela.
Segundo ela, essas pequenas ações podem fazer grandes diferenças quando realizadas por uma parcela expressiva da população. “Reclamar é muito fácil. Quero ver cada cidadão fazendo sua parte, colaborando para que tenhamos uma cidade melhor e mais bonita”, desafia ela, na carta publicada no JC.