A história do meia Lenílson com o Noroeste começou de forma tímida, em novembro de 2005, mas terminou como um sonho para este baiano de fala mansa jeito e tranqüilo. Após o clube bauruense conquistar o sonhado acesso para a Primeira Divisão do Campeonato Paulista de 2006, a diretoria do Norusca, através do gerente de futebol, Celso Zinsly, falecido em fevereiro do ano passado, começava a planejar a montagem do time para a disputa do Paulistão.
E, justamente, o primeiro reforço a desembarcar no Alfredo de Castilho foi um meia vindo do Ipatinga-MG, e que andava tranqüilamente depois dos treinos de chinelo e sem camisa. No começo, o jogador parecia meio deslocado, devido ao fato de que não conhecia ninguém dos jogadores remanescentes e funcionários do clube.
Este repórter, na época setorista do Noroeste, em dezembro de 2005, perguntou para Celso Zinsly quem era o novo jogador, já que se tratava do primeiro reforço noroestino para a temporada. A resposta foi meio incerta. “O Lenílson veio de Minas e fará testes no clube. Dizem que ele joga muito, mas eu ainda não sei se ele permanecerá aqui para a disputa do Paulista”, revelou Celso Zinsly.
No dia-a-dia da imprensa, na cobertura do Noroeste, era normal que a maioria dos jornalista e radialistas fossem atrás de outros jogadores para as entrevistas, como, por exemplo, o goleiro Maurício e o meia Luciano Bebê. Mas bastou o início dos treinos com o novo grupo, no Alfredo de Castilho, que a habilidade e dribles do craque foram logo notados por todos e, principalmente, de que se tratava de um grande jogador. Dito e feito: Lenílson foi o grande nome do Noroeste no campeonato, fazendo gols que ajudaram o clube a conquistar o inédito quarto lugar no Campeonato Paulista e despertando o interesse de duas diretorias de grandes clubes: São Paulo e Santos iniciaram uma disputa para contar com o meia no segundo semestre de 2006. Méritos para a diretoria são-paulina, que agiu rápido e ficou com o craque.
Hoje, dia do jogo do São Paulo contra o Norusca, o filme de toda essa história deve estar passando na cabeça deste baiano, que veio recentemente visitar os amigos em Bauru, e disse que seria uma emoção muito grande reencontrar a torcida e o clube que o projetou para o futebol paulista e brasileiro.
“Claro que é um jogo especial. Além de eu ganhar uma oportunidade, vou jogar contra meu último time. Tenho um carinho especial pelo Noroeste e por Bauru, onde sempre fui muito bem tratado. Mas agora estou do lado do São Paulo e sei que, como adversário, não vão me querer muito bem, não”, reconhece o jogador, artilheiro do São Paulo no Campeonato Brasileiro do ano passado, mesmo na reserva, com oito gols.
O carinho de Lenílson com o Noroeste é tanto que até hoje cultiva as amizades feitas no início do ano passado. Toda semana, conversa por telefone com os zagueiros Bonfim e Fábio, o meia Hernani e o atacante Leandrinho. “Eles me ligaram depois do jogo contra o Santo André. Pedi para eles não pegarem muito pesado”, brincou.
Lenílson sabe muito bem que a campanha do Noroeste não é nenhuma surpresa. “É um dos poucos times do interior que investe em planejamento. É um forte concorrente. Se deixar, eles vão ficar entre os quatro primeiros”, avisa.