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Celebração de cessar-fogo não inibe violência na Faixa de Gaza

Folhapress
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Gaza - Confrontos entre as facções rivais Hamas e Fatah prosseguem na Faixa de Gaza, apesar de um acordo de cessar-fogo decretado no início desta semana. Os dois grupos declararam trégua na terça-feira, mas o pacto durou apenas três dias.

Anteontem, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o líder do Hamas em Damasco, Khaled Mashal, selaram um novo cessar-fogo imediato. A violência entre os dois grupos, que começou na quinta-feira, matou ao menos 25 palestinos e feriu outros 250, segundo o porta-voz do escritório de Abbas, Abu Rudeineh.

Renovados confrontos eclodiram ontem na Cidade de Gaza. Homens armados ligados a Fatah atacaram o prédio do Ministério da Agricultura, vasculhando escritórios e roubando computadores e documentos, segundo o ministro da Agricultura, Mohammed al Agha.

Membros do Fatah também subiram no telhado do prédio e atiraram, segundo Al Agha.

Confrontos

Também ocorreram perto da sede de segurança nacional, dominada pelo Fatah, e da Universidade Islâmica, bastião do Hamas que foi cenário de batalhas nos últimos dois dias.

As ruas da Cidade de Gaza permanecem vazias ontem. As escolas ainda não foram reabertas, forçando cerca de 200 mil estudantes a permanecer em casa devido à violência. Pouco depois do anúncio do cessar-fogo, anteontem, uma granada foi lançada contra o Ministério do Interior, administrado pelo Hamas, e morteiros atingiram um complexo das forças de segurança leais a Abbas.

Grupos armados atiraram contra o veículo que transportava o general Burhan Hama, o chefe da delegação egípcia de segurança na faixa de Gaza.

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Vítimas

Gaza - Ao menos 17 pessoas morreram anteontem, durante o que se tornou um dos piores dias da disputa por poder entre as duas facções, que dura meses. Entre os mortos, há quatro crianças.

Membros do Hamas atacaram a sede de uma rádio pró-Fatah em Gaza ontem. Ambulâncias foram atingidas na troca de tiros, e homens armados se confrontaram nas ruas.

Cerca de 50 homens da guarda presidencial ligada ao Fatah, partido do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, cercaram o prédio do ministério do Interior ontem, trocando tiros com membros armados do Hamas.

Ao redor da Cidade de Gaza, integrantes do Hamas lançaram morteiros contra uma base de treinamento do Fatah. As ruas de Gaza ficaram vazias. Apenas homens das forças de segurança eram vistos nas ruas.

A onda de violência forçou milhares de moradores a se esconderem em casa para fugir do fogo cruzado. Ataque a comboio Os atos de violência começaram na quinta-feira em vários lugares da Faixa de Gaza, depois que militantes do Hamas atacaram um comboio de três veículos que transportavam materiais para a guarda ligada a Mahmoud Abbas.

Segundo o Fatah, dois caminhões da comitiva foram confiscados por membros do Hamas. Um pouco antes, o Hamas afirmou que um país árabe não-identificado havia enviado na véspera uma “grande carga” de armas destinadas à guarda presidencial de Abbas.

Os episódios de violência ocorreram um dia antes de uma reunião em Washington entre chanceleres do chamado Quarteto para o Oriente Médio - formado por EUA, União Européia (UE), Rússia e ONU - para acertar posições sobre a chance de reavivar o processo de paz entre israelenses e palestinos.

Apesar da ausência de uma interrupção oficial, as mortes ocorridas nos últimos dias acabam na prática com o cessar-fogo da última terça-feira. O Hamas venceu o Fatah nas últimas eleições parlamentares palestinas, há cerca de um ano.

Desde que tomou posse em março, o partido luta para governar em meio a uma crise internacional. Os EUA, Israel e outros países impuseram um boicote financeiro ao governo palestino para forçar o Hamas a formar uma coalizão com o Fatah, considerado mais moderado, reconhecer o Estado de Israel e renunciar à violência. Até hoje, a pressão não obteve resultados.

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