Bagdá - Cerca de mil pessoas morreram no Iraque durante atentados com bombas, ataques a tiros e confrontos no país durante a semana passada, informou o Ministério iraquiano do Interior. As mil vítimas estimadas incluem civis e membros das forças de segurança iraquianas, além de integrantes de milícias e grupos terroristas. Os dados foram recolhidos em um trabalho conjunto feito pelos Ministérios do Interior, da Saúde e da Defesa.
A estimativa é divulgada um dia após a pior ação desde o início do conflito, em 2003. No sábado, a explosão de um caminhão-bomba em um mercado lotado de Bagdá matou 135 pessoas e feriu mais de 300. O atentado suicida, que destruiu lojas e carros, ocorreu em Sedriya, região onde vivem sunitas, xiitas e curdos.
O ataque ocorreu no momento em que tropas iraquianas e dos EUA se preparam para lançar uma ofensiva para deter a violência sectária no país.
O premiê iraquiano, o xiita Nouri al Maliki, culpou os partidários do ex-presidente sunita Saddam Hussein e insurgentes sunitas pela ação. Em dezembro último, três carros-bombas foram detonados no mesmo mercado em Bagdá, matando 51 pessoas.
A explosão, que deixou uma grande cratera na rua, ocorreu horas depois de o clérigo iraquiano e líder xiita, grande aiatolá Ali al Sistani, ter renovado um apelo aos iraquianos para evitar a violência. “A nação islâmica está atravessando condições que ameaçam seu futuro”, afirmou em um documento o religioso.
Mais violência
Na manhã de ontem, ataques de grupos armados e morteiros mataram ao menos 12 pessoas e feriram outras 35 em Bagdá, de acordo com informações da polícia. Na pior ação, uma bomba deixada perto de uma patrulha da polícia iraquiana na região de Kasra, ao norte de Bagdá, matou quatro policiais.
Em outro atentado, um civil iraquiano morreu e outros três ficaram feridos quando um morteiro atingiu uma casa próxima da Embaixada do Irã, no centro de Bagdá. Outros três iraquianos morreram e 15 ficaram feridos na explosão de um carro-bomba em um distrito comercial de Bagdá.
Anteontem, a explosão de cinco carros-bomba em diferentes locais de Kirkuk, 250 quilômetros ao norte de Bagdá, matou ao menos três pessoas e feriu outras 21.
De acordo com Barhan Taha, chefe de polícia da cidade, um dos veículos, conduzido por um suicida, foi atirado contra a sede do Partido Democrático do Curdistão, dirigido pelo presidente da região autônoma do Curdistão iraquiano, Masud Al Barzani.
Após as ações, um toque de recolher foi imposto na cidade até as 6h de hoje (1h de Brasília) e todas as estradas foram fechadas após as explosões. Kirkuk é uma cidade rica em petróleo localizada na Província de Tameem, habitada por curdos, árabes e turcomenos, além de xiitas, sunitas e cristãos, o que gera tensão sectária.