Regional

Moradores do bairro invadido por lama pretendem acionar prefeitura

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - Depois da retirada da lama, moradores do Jardim Itamaraty, Jaú (47 quilômetros de Bauru) pretendem entrar com uma ação contra a prefeitura. Alguns moradores tiveram perdas, além do susto, ao terem a casa invadida por um rio de lama, que não perdoou nem mesmo os quartos de 15 residências na última quadra da rua Álvaro Souza e Silva.

O problema, segundo os moradores da quadra sete, a mais castigada, se repetiu pela segunda vez, graças à falta de infra-estrutura do Núcleo Habitacional Jardim Cila de Lúcio Bauab.

Os moradores são unânimes em dizer que a chuva do sábado foi intensa e provocou estragos, especialmente nessa via que fica próxima ao núcleo.

“A água chegou a 20 centímetros na minha casa. Não havia o que segurasse sua força. Entrou até nos quartos e danificou o guarda-roupa. A madeira encharcou e as gavetas não entram mais”, diz a moradora Eliana Alves.

Segundo ela, a rua virou um rio de água lamacenta. “Essa mesma água, cheia de lama, invadiu as nossas casas. Cerca de 15 residências foram castigadas”, explica a moradora.

A dona de casa Cleonice Bento foi pega se surpresa pela situação. “Eu não estava em casa. Quando cheguei na minha sogra fui avisada que a minha casa tinha sido invadida pela lama. Corri para cá e só não foi pior porque, nas portas, eu tenho proteção de borracha.”

Mesmo assim, a enxurrada encharcou o tapete da sala que ontem passou por uma limpeza. “Eu fiquei apavorada. A água subia rapidamente, chegou a uns 20 centímetros, sujou tudo.”

A dona do bar que fica no cruzamento das ruas Álvaro Souza e Silva com Domingos Rufalo, Hilda Eleotério reclama do descaso da prefeitura. “É a segunda vez que nossas casas são invadidas pela enxurrada. O freezer do bar não funciona mais. Ficou encharcado de lama.”

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Ação por danos

A moradora Angela Maria de Oliveira Santorato conta que viveu momentos de pânico durante os 10 minutos de chuva. “As cenas foram gravadas e fotografadas. Me lembrou as enchentes de São Paulo mostradas pela televisão. As crianças apavoradas e a lama invadindo a nossa casa.”

De acordo com ela, a rua virou um rio de lama. “Os bueiros estão todos entupidos. Não tinha o que fazer. Tivemos que esperar que a natureza nos livrasse da situação.”

A moradora diz que alguns vizinhos estão se mobilizando para fazer um abaixo-assinado e entrar com uma ação para ressarcimento de danos. “Estamos conversando sobre isso. É uma vergonha. Não é a primeira vez que vivemos essa situação.”

Para ela, como o núcleo vizinho não tem galerias para dar vazão à água da chuva, a enxurrada desce e invade as casas. “O pior é que como as ruas de lá não são asfaltadas, a prefeitura joga pedrisco. Todo o pedrisco veio junto com a enxurrada, entupiu as galerias e os bueiros, que não deram vazão a água da chuva.”

Para o secretário executivo da Defesa Civil de Jaú, Cristiano dos Santos, os danos foram ocasionados pela chuva e a prefeitura não tem nada com isso. “Na rua que foi invadida pela enxurrada há bueiros e galerias. Se a água invadiu, a culpa não é da prefeitura. Choveu 41 milímetros em uma hora concentrados naquele bairro.”

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Núcleo Cila Bauab

O loteamento Cila Bauab, que contém 2.200 lotes, foi entregue entre 99 e 2000 pela administração anterior sem infra-estrutura. No ano passado, o governo do Estado, através de um convênio com a Prefeitura de Jaú, liberou uma verba de cerca de R$ 600 mil para ser utilizada na construção de galerias pluviais.

As obras foram calculadas em mais de R$ 755 mil, segundo a prefeitura. “Deste total, R$ 533.410,06 serão onerados por meio do orçamento do Programa do Departamento de Águas e Energia, a título de contribuição financeira. Os R$ 222.585,16 restantes estarão sob a responsabilidade do Poder Executivo.” De acordo com a administração municipal, obras estão sendo executadas e parte delas está em processo licitatório.

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