Bairros

Em protesto, buraco vira ‘pesqueiro’

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 3 min

Mais um buraco em Bauru. Mas desta vez a população tratou do problema com bom-humor. Os donos de um armazém no Jardim Carolina cansaram de ver a cratera em frente a sua loja, na quadra 6 da rua Salgado Filho, e montaram um “pesqueiro” no local para chamar a atenção das autoridades. “Há dois anos esse buraco está aí. Resolvemos protestar contra o descaso com que as ruas de Bauru são tratadas”, desabafa Daniel de Jesus Silva, comerciante.

Ele, o filho Amaury e o irmão Samuel Vieira da Silva resolveram fazer do buraco o “Pesque e Pague do Tuga” com um boneco, duas cadeiras, uma garrafa de cachaça e uma vara de pesca. “Nós reclamamos mais de uma vez para a prefeitura, mas nenhuma atitude foi tomada”, comenta o comerciante.

Com as chuvas dos últimos meses, o buraco aumentou. Há nove dias, conta Daniel, uma perua Kombi com seis pessoas caiu no local. “Foi preciso que um caminhão puxasse o veículo para fora da cratera. Ninguém ficou ferido, mas a Kombi sofreu avarias”, diz. Na mesma via, a cerca de 70 metros de distância, mais um buraco: este tem a placa “Bauru, cidade sem limite de buracos”.

O comerciante pede que o prefeito tome alguma providência. “É preciso iniciativa para que a cidade não vire uma calamidade”, completa. Além do pedido, os três idealizadores da brincadeira-protesto prometem que a cada semana que os buracos permanecerem abertos um personagem será acrescentado ao “pesqueiro”.

“O ‘vovozinho’ gorducho está muito sozinho. Semana que vem um netinho vai fazer companhia”, diz Daniel logo emendando: “Ah! Ali eles só pescam traíras porque nós nos sentimos traídos pelo descaso e pela falta de atenção da administração pública”, completa o comerciante.

Apesar do bom-humor, a resposta da Secretaria Municipal de Obras não é de que os buracos na Jardim Carolina serão tapados imediatamente. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a pasta deve atender a solicitação dos moradores de acordo com a disponibilidade das equipes.

Terreno baldio

Do outro lado da cidade, no Jardim Gérson França, a reclamação é sobre casas abandonadas e terrenos baldios. A economista Carmina Sanchez conta que uma casa abandonada na quadra 3 da rua Santa Terezinha foi tomada pelo mato e transformou-se em criadouro do mosquito da dengue.

Segundo a moradora, o imóvel vem sendo usado por pessoas para consumo de drogas e como esconderijo de marginais. Uma das vizinhas de Sanchez chegou a ser atacada por um homem que estava escondido no imóvel. A prefeitura foi acionada por várias vezes, mas a situação continua a mesma. “Não consigo ficar sossegada em casa. Além do mato e dos mosquitos, o cheiro de maconha se tornou insuportável”, conta Sanchez.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a reclamação a respeito da casa abandonada foi encaminhada à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). A fiscalização será feita e o proprietário, notificado. Em relação à invasão do imóvel por terceiros, os moradores da rua Santa Terezinha devem entrar em contato com a Polícia Militar (PM). O telefone da Seplan para reclamações é 3235-1047; a PM pode ser contatada pelo 190.

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