O bauruense Guilherme Oda, 20 anos, se prepara para seu segundo ano de competição em torneios que valem pontos para o ranking brasileiro. O primeiro compromisso válido pelo ranking nacional é no próximo mês, o Aberto do Estado de São Paulo, realizado na Capital, quando o golfista enfrentará adversários de todo o País.
No ano passado, o golfista decidiu deixar de competir apenas em torneios do Bauru Golf Club e regionais e buscar desafios nacionais. A decisão foi acertada. Em um ano e dez torneios disputados, Oda terminou cinco vezes entre os cinco primeiros colocados, conquistou dois vice-campeonatos, em Brasília e Rio de Janeiro, e um terceiro lugar no Aberto do Estado de São Paulo.
Mas a consagração de sua primeira temporada em torneios do ranking brasileiro veio em outubro, no nono tornei do ano. Oda conquistou o Aberto do Estado do Paraná, realizado no Alphaville Graciosa, em Pinhais, na Grande Curitiba, onde alcançou o segundo melhor resultado de toda a temporada brasileira. Para vencer, superou, em emocionante disputa, o paranaense Eduardo Pesenti, ex-profissional de golfe, e primeiro do ranking nacional de golfe amador.
Atual número cinco do ranking nacional, com 133 pontos, o bauruense foi um dos dois únicos jogadores a marcar pontos em todos os torneios de 2006 e foi considerado a maior revelação do golfe brasileiro nos últimos anos pela revista especializada Golf Life.
Oda revela que a seqüência de torneios foi fundamental para sua vitória no Paraná. “No começo, em torneio nacionais, eu ia só mesmo para tentar ficar entre os cinco, dez primeiros. Com o tempo, ganhei bastante experiência, jogando outros torneios em campos novos, diferentes do campo daqui (Bauru). Isso ajudou bastante. Este torneio (Paraná) foi mais no final do ano, então já estava adaptado.”
O bauruense comenta que concentração e treino são fundamentais para a vitória em um esporte no qual o principal adversário é você mesmo. “Na verdade, neste modo que eu jogo os pontos são por tacada, não é exatamente contra o adversário. Só depende de você. Se você jogar o seu melhor, jogar bem mesmo, vai ganhar. Agora, tem outra modalidade que é você contra outra pessoa. Aí já é diferente. Mas geralmente é por tacada. Quem fizer em menos tacadas vai levar o título”, diz.
Apesar do bom começo, o bauruense não pensa em jogar em nível profissional no momento. “Não descarto, mas aqui no Brasil ainda é bem complicado se profissionalizar. Tem poucos torneios, poucos patrocinadores e é uma vida bem complicada. Tem que ter uma estrutura muito boa para se profissionalizar. Fora do Brasil, o melhor nível está na Europa e Estados Unidos, mas a concorrência lá é bem maior”, comenta.
Se no Brasil é difícil jogar golfe, Oda considera que em Bauru a situação é mais complicada. “Em São Paulo, por exemplo, você tem mais facilidades, mais professores, mais campos. Aqui só tem um, então fica difícil.”
Esporte caro?
O golfe é considerado por muitos como esporte de elite, caro. Para Guilherme Oda, a relação de custo tem que ser melhor analisada e iniciantes devem ir com calma, conhecer melhor o esporte, para só depois adquirir o material necessário. “Depende do que é considerado caro. Aqui no Interior não é tão caro, porque a mensalidade não é alta. Para começar a jogar, é bom não comprar material ainda. O melhor é ver se vai gostar mesmo ou não. Vai lá (no campo) e bate uma bolinha, o professor dá umas aulas para você. Geralmente o pessoal fica de três a seis meses só batendo uma bolinha para ver se gosta mesmo. Só depois vai para o campo, porque é um esporte complicado, não é só chegar e jogar. Vai errar muito. Tem que ter bastante treino.”
O bauruense comenta ainda que o material para iniciantes não precisa ser sofisticado e a durabilidade compensa o investimento. “Material de golfe é relativo. Para quem está começando não precisa ser top de linha, pode ser usado que vai durar dez, 20 anos. Com um jogo completo de tacos usados, você vai gastar em torno de 2 mil reais. Não sai tão caro, porque ele vai durar muito tempo. Aí você vai comprar só bola e continuar tendo aulas.”
No caso de quem participa de competições, a história já diferente. “Quando você parte para competições, conforme vai melhorando, vai querer um equipamento melhor. Quem tem um nível de jogo mais elevado sente diferença. Mas para quem está começando o ideal é um usado mesmo. Não adianta dar um equipamento top de linha que não vai ter resultado prático.”
Neste final de semana, Guilherme Oda estará em ação no Aberto de Golfe de Bauru, que será realizado no Bauru Golf Club.