Tribuna do Leitor

O que realmente é importante para você?


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“Nascido no interior de São Paulo, aos 19 anos de idade, eu, Guilherme, no auge da minha adolescência, garoto bonito, olhos castanhos, cabelos escuros, alto, tinha uma vida normal, esportista de muito talento e como qualquer garoto tinha minhas namoradinhas. Até que um dia, do qual me lembro como se fosse hoje, estava participando de um campeonato esportivo quando me deparei com um olhar estranho, era o de um rapaz bonito e forte. Aquele olhar mexeu comigo, senti um frio enorme em meu corpo, minhas pernas tremulas não conseguia prestar atenção em qualquer coisa, pois tinha toda minha atenção aquele rapaz.

Perguntei-me:

- Meu Deus! O que está acontecendo comigo, quem é esse rapaz? Por que me sinto atraído, como se estivesse hipnotizado por aqueles olhos?

Passaram-se dias e em uma bela tarde me deparei com aquele rapaz que por coincidência morava perto de minha casa. Foi instantâneo, percebi que ele sentiu a mesma coisa, pois nos deparamos de frente e por segundos olhamos um nos olhos do outro, parecia que nos conhecíamos, nada foi dito! Saímos então, cada um pro seu rumo.

Comecei então a pensar, cara! O que está havendo? Será que sou gay? Um viadinho, como dizem? ... Meu Deus, o que eu faço?

Minha família é superpreconceituosa, meu pai diz que prefere ter uma filho preso do que um viado, e minha mãe é evangélica.

Comecei a chorar desesperadamente, inconformado. Por que eu!!? Justo eu, gostar de um homem.

A partir daí, minha vida mudou.

Só conseguia pensar naqueles olhos. Fui então à procura desse rapaz, cada vez que nos víamos, sentia a mesma coisa, parecia que cada vez mais aumentava essa sensação.

Descobri que esse rapaz era casado, lutador de jiu-jitsu e que não era nada fiel a sua esposa. Começamos a nos encontrar sempre com muito sigilo.

Eram momentos inesquecíveis, a sensação de seu corpo em meu corpo era maravilhosa e inexplicável. Agora só tenho uma certeza, estou apaixonado por um homem. Hoje descobri quem sou e por isso vivo feliz. Não tenho orgulho de ser gay, tenho orgulho de não tem vergonha de amar, de mostrar quem realmente sou.

Não importa a cor da pele, se é deficiente, bonito ou feio, se quando criança aprendemos que meninos tem que beijar meninas e que ser homem é ser forte, viril e mau. E ser mulher é ser dócil, boba e boa.

O importante é que somos seres humanos, temos sentimentos, caráter e, acima de tudo, devemos ser respeitados."

Bauru sem Homofobia - Instituto “Acesso Popular” - baurusemhomofobia@yahoo.com.br

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