Turismo

Frutas, flores e folhas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Todas as estações são propícias para se visitar Mendoza. No inverno as atrações vão além da área central e dos vinhedos e passam necessariamente pelo Aconcágua, com seus mais de 6.900 metros de altitude, e pelas estações de esqui com teleféricos gigantes e boas pistas.

Mas é na primavera e no verão que a cidade fica tomada de cores. Um espetáculo para as lentes registrarem a explosão da natureza, com os Andes como pano de fundo. Passear pelos parques e praças se faz obrigatório nessa época, que é especial para quem não resiste à tentação de provar uvas doces tiradas com todo cuidado dos pés, num ritual que mais parece de perdão pelo “crime”.

As uvas destinadas à produção de vinhos diferem das que compramos nos supermercados e feiras-livres. Tem frutos pequenos, do roxo ao verde-esmeralda (dependendo da plantação), que serão na vindima (na primeira semana de março são realizados quatro dias de festa) recolhidos um a um, cortados com tesourinhas e armazenados em cestas até chegarem às demais fases de produção.

São várias as castas cultivadas em Mendoza, sendo a Malbec, introduzida na Argentina em 1860 a mais difundida. Lá a espécie, que chegou a ser desprezada em seu país de origem, a França, encontrou condições ideais para prosperar por conta das montanhas, da água que escorre dos Andes e do solo arenoso, recebendo as mais consagradas premiações internacionais.

Os dias quentes, as noites frias e o clima seco foram decisivos para o triunfo que passa pelos aromas, taninos e a cor especial de seu vinho. A maioria das bodegas de Mendoza (10 mil dos 153 mil hectares) tem a uva como destaque.

Também são produzidas na Argentina a Cabernet Sauvignon, que rivaliza com a Malbec tanto em produtividade quanto em qualidade e versatilidade; a Pinot Noir, chamada de uva da Patagônia; a Bonarda, que já foi a uva mais plantada no país; a Syrah, que segundo os enólogos ‘tem futuro’ entre as tintas, e a Torrontés (autóctone argentina), a Chardonnay (com acidez, corpo) e a Sauvignon Blanc, uma das uvas mais adequadas no país.

A cidade é muito bem servida de leitos, mas nesta época em que ocorre a vindima a dica é checar antes os hotéis e até mesmo os vôos para lá. O Park Hyatt, o mais estrelado da cidade, está com ocupação total para o Carnaval e as semanas seguintes.

Para os próximos meses estão previstas novas inaugurações, incluindo dois megaempreendimentos das cadeias Sheraton e Meliá, além de um cinco estrelas do grupo Huentala.

Confira também hospedagem junto a algumas bodegas, que passaram a disponibilizar quartos e apartamentos antes somente reservados a visitantes e compradores internacionais. Todas as vinícolas fazem questão de receber muito bem os visitantes.

A simpatia de Don Alberto, da Familia Zuccardi, é impressionante. Ele faz questão de contar toda a história de sua família e conduzir os visitantes pelas diversas etapas de produção de vinho, que culmina na sala de degustação e depois com um almoço na bodega da Finca Beltrán, com empanadas, lingüiças, parrilada e a carne argentina, outra maravilha gastronômica que faz de Mendoza um roteiro a ser explorado. Saúde e sorte!

Comentários

Comentários