A falta de fiscalização no serviço privado de transporte escolar prestado ao Município de Bauru, revelado ontem com exclusividade pelo JC, repercute entre os vereadores bauruenses. Apesar de criticarem o surgimento de mais um assunto espinhoso envolvendo a administração do prefeito Tuga Angerami, os parlamentares são cautelosos ao falarem sobre a possibilidade de abertura de mais uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) no Legislativo para investigar a questão.
Para o presidente da Câmara Municipal, Paulo Madureira (PP), a Prefeitura nunca poderia ter deixado um caso desses ocorrer. “Já fui atrás de documentos, que estão comigo há cerca de dez dias, e depois que analisá-los irei me pronunciar. Preciso amanhã pegar um parecer da Consultoria Jurídica do Legislativo para me manifestar”.
Já o petista José Carlos de Souza Pereira, o Batata, que integra o bloco oposicionista na Câmara e é membro da Comissão de Fiscalização e Controle do Legislativo, foi mais incisivo. “É mais um absurdo dessa administração. É lamentável que um serviço essencial, principalmente ao envolver crianças que se utilizam dele para ir às escolas, sofra com um disparate desse. Por isso, é evidente que a Câmara terá de adotar uma postura firme em relação a esse caso”, frisou.
Para Batata, falar em instauração de CEI ainda é prematuro durante essa semana. “A Câmara já solicitou vários documentos à administração sobre esse caso e estamos aguardando o envio deles. Só depois disso é que saberemos a postura a ser adotada pelo Legislativo, mas que a Câmara terá de tomar uma providência isso está claro”, enfatizou o parlamentar.
Outro vereador oposicionista, o tucano Marcelo Borges, destaca que o caso é “um caos gerado por incompetência ou má-fé, causando prejuízos ao erário público. A Câmara deve tomar uma providência e dar uma resposta. Os vereadores terão de conversar e acho que o Legislativo não deve deixar esses e outros problemas relacionados com a Educação para trás”, finalizou.
O também tucano João Parreira acha inaceitável a falta de checagem das quilometragens percorridas. “O Tuga está correto no instante em que visualizou o problema fez a mudança de controle e pediu auditoria. Mas não nem para falar que houve controle do serviço prestado até agora porque não houve e isso é inaceitável. A concorrência anterior permitiu facilidades na forma de prestação do serviço que não se pode aceitar”, abordou.
Em sua avaliação, não se admite o pagamento das faturas apenas com a descrição das rotas com o nome das escolas relacionadas. “Tem de ter itinerários definidos pela administração e medição de quilometragem e fiscalização com equipamentos. A questão central é saber quantos ônibus a empresa utilizou para prestar os serviços, quais as linhas e o percurso de cada rota. Isso é fundamental levantar. A auditoria é fundamental para se ter a realidade e comparar com o que foi realizado até agora. A prefeitura tem a obrigação de apresentar isso e se não for feito temos de tomar providências”, concluiu.