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Com decreto de biotecnologia, País pode ter auto-suficiência em diversas vacinas

Folhapress
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Brasília - A Política de Desenvolvimento da Biotecnologia, sancionada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permitirá ao Brasil conquistar a auto-suficiência na produção de diversas vacinas nos próximos anos. Quem afirma é o secretário de Desenvolvimento Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Antonio Sergio Martins Mello.

Dono de um quinto da biodiversidade mundial, o Brasil ganhou ontem uma ferramenta para tirar proveito econômico, social e ambiental das cerca de 200 mil espécies de plantas, animais e microorganismos registradas no País. O presidente Lula sancionou decreto que cria o Comitê Nacional de Biotecnologia e institui uma política específica para o setor. Segundo o governo, a nova política permitirá investimentos de R$ 10 bilhões em biotecnologia no Brasil nos próximos dez anos. Desse total, 60% viriam de recursos públicos, tanto do Orçamento Geral da União como do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fundos destinados a investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia. Os 40% restantes viriam de parceiros privados. Quatro setores receberão investimentos: saúde, agropecuária, indústria e meio ambiente.

Coordenador do grupo que criou a política governamental para a indústria de biotecnologia, Mello diz que os investimentos em saúde serão uma das principais vertentes de desenvolvimento do setor. “A gente pretende não apenas substituir as importações, mas garantir competitividade internacional para a biotecnologia brasileira”, destaca.

Integrante do Fórum de Competitividade de Biotecnologia, órgão que desde 2003 elabora o modelo de desenvolvimento para a área, a professora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) Sueli Felipe assegura que, somente nos próximos três anos, o país pode produzir sete tipos de vacina. Entre as doenças que passarão a ser prevenidas com capacidade nacional, estão a raiva humana, a meningite, a leishmaniose, a tuberculose e a gripe. Segundo Sueli, essas vacinas estão em fase avançada de desenvolvimento. Ela diz que a nova política do governo, na verdade, pretende facilitar a produção.

Além das vacinas, Mello afirma que o governo pretende dar impulso à produção nacional de hemoderivados componentes do sangue utilizado em transfusões e cirurgias e insulina hormônio que controla a taxa de açúcar no sangue. O desenvolvimento de testes para diagnosticar doenças e de enzimas utilizadas em remédios também faz parte das ações previstas. Como a biotecnologia exige mão-de-obra qualificada, a capacitação de profissionais também terá destaque na nova política.

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