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Criança presa em cinto de segurança morre arrastada por ladrões no Rio

Por Mario Hugo Monken | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Um roubo de carro na zona norte do Rio de Janeiro terminou com a morte bárbara de um menino de 6 anos, arrastado e dilacerado por 14 ruas, do bairro de Oswaldo Cruz. Poças de sangue e pedaços de massa encefálica foram recolhidos em diversos pontos do trajeto de sete quilômetros percorrido pelos ladrões, que levaram João Hélio Fernandes Vieites, preso pelo cinto de segurança, do lado de fora do carro.

Às 21h, a comerciante Rosa Cristina Fernandes Vieites, 41 anos, voltava em seu Corsa Sedan de um culto em um centro espírita, com os filhos João Hélio e Aline, 13 anos. Ao passar pela rua João Vicente, em Oswaldo Cruz, foi abordada por dois homens - que mais tarde, presos, diriam a polícia estarem armados com revólver de plástico.

Rosa e Aline saíram rapidamente do carro, mas a mãe não conseguiu retirar o filho de 6 anos, que sofria de hiperatividade e tinha dificuldades motoras e de fala. No banco traseiro e com cinto de segurança, João Hélio tentava sair do carro quando os ladrões arrancaram. Ficou pendurado no veículo. Foi arrastado por cerca de 15 minutos, com o carro em alto velocidade e pessoas na rua gritando: “Pára, pára”.

Os pneus do carro passaram várias vezes sobre o corpo que ficou dilacerado, com vários ossos expostos e sem a cabeça. “Foi a pior coisa que vi na minha vida”, afirmou o delegado Hércules Pires do Nascimento, responsável pelas investigações e há 30 anos na polícia.

No começo da tarde, no morro São José da Pedra, em Madureira, a polícia prendeu três pessoas - sendo dois acusados de participação direta no crime, um deles adolescente de 16 anos. Ambos confessaram o envolvimento no caso, de acordo com a Secretaria de Segurança. A participação do terceiro, identificado apenas como Tiago, está sendo investigada.

O crime mobilizou o bairro. Policiais militares que deveriam deixar o plantão permaneceram até a captura dos acusados, que foram expostos com virulência aos jornalistas. Policiais levantaram seus rostos à força para que fossem filmados e fotografados.

A polícia permitiu que um deles - Diego Nascimento Silva, 18 anos -, fosse entrevistado pelo programa policial “Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes, no qual foi chamado de “vagabundo assassino” pelo apresentador. “A gente só queria roubar os pertences deles. A gente não viu o garoto pendurado.” Os dois ouviram gritos de “assassinos e covardes” de moradores e até de integrantes de equipes de reportagem quando prestavam depoimento.

O pai de Diego afirmou que o filho não trabalhava e tinha comportamento rude. Ele já tinha passagem na polícia por roubo e, se for condenado, pode ficar de 20 a 30 anos na prisão. O adolescente pode ficar no máximo três anos apreendido. Para o delegado, ambos estariam sob o efeito de drogas. “Ninguém em sã consciência faria algo que eles fizeram.”

Desespero

Após o assalto, vendo o desespero da família Fernandes, um motociclista que estava a 200 metros do local do roubo, chegou a perseguir os ladrões, mas desistiu depois de ter sido ameaçado. “Pegamos a moto para ver se a gente conseguia ver, de repente, se o garoto tinha caído ali na frente”, disse. O motociclista ajudou a montar o retrato falado dos suspeitos e contou que eles chegaram a andar em ziguezague para se livrar do corpo.

Na fuga, antes de ir para o morro, a dupla atirou documentos de Rosa e das crianças em um galpão abandonado. Diego ainda passou em casa, tomou banho, trocou de roupa, bebeu água e foi embora. E, segundo os policiais, os dois ainda participaram de uma festa.

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