Rio - Há seis meses em uma escolinha de futebol em um clube próximo a sua casa, o menino João Hélio Fernandes Vieites, 6 anos, fez na terça-feira, pela primeira vez, um gol. Melhor: na frente de seu pai. “Ele estava todo feliz. O pai dele conseguiu ir vê-lo jogar pela primeira vez. Saiu mais cedo do trabalho e viu o filho fazer um gol. Ele disse: “Esse foi pro papai’”, contou Andréa Tavares, amiga da família.
Além de jogar futebol, João gostava de cantar músicas em inglês - idioma que começava a aprender. “Eram músicas que aprendia na escola, sobre o alfabeto”, disse Andréa. Essas eram algumas das formas encontradas pela família para socializar o menino. João sofria, segundo seu tio Carlos Nelson Lopes, de hiperatividade. “Ele estava se tratando e já apresentava melhoras.”
O transtorno de déficit de atenção, como é chamado, atinge entre 3% e 5% das crianças até 12 anos de idade. Algumas vezes são rotulados como “indisciplinados” e “irresponsáveis”. Não era o caso de João. “Ele era uma criança muito levada. Mas que criança de seis anos não é levada?”, questionou Andrea, esboçando um sorriso. João completaria sete anos no dia 18 de março. Há dois anos, o menino passou a freqüentar um centro kardecista, no Méier.
Os pais Rose Cristiane Vieites e Elson Lopes Vieites eram donos de uma loja de material de escritório, no mesmo bairro onde moravam, em Cavalcante, zona oeste da cidade. O negócio ia bem e a família, de classe média baixa, estava prestes a se mudar para o Méier. “Não foi só o Joãozinho quem foi embora. A família acabou”, disse, chorando, Andrea.