São Paulo - Psicóloga há oito anos, Karina Mazuca, 31 anos, jamais imaginou colocar em prática seus conhecimentos diante de uma situação tão cruel: seqüestrada com os dois filhos e uma sobrinha - crianças de 5, 6 e 8 anos - na madrugada do último sábado, coube a ela disfarçar o nervosismo e tranqüilizar os “teletubbies” - como os bandidos se referiam às crianças reféns. Sem ter quase nada dos R$ 2 milhões pedidos como resgate - o marido conseguiu arrecadar R$ 6.900,00 -, Karina foi tão eficiente ao evitar o pânico que, ao saber que a mãe iria embora - ordem dos seqüestradores para agilizar a obtenção do dinheiro -, o filho mais velho, de 8 anos, não titubeou: “Pode ir, mamãe, que eu vou cuidar de tudo por aqui”.
O seqüestro ocorreu quando a família saía de um bar onde o marido de Karina, Danilo Mazuca - saxofonista e dono de um supermercado no Itaim Bibi -, havia se apresentado. Ele ainda estava no bar quando ela, os dois filhos, uma sobrinha e um amigo foram rendidos por três rapazes na frente do estacionamento. O marido supõe que os bandidos foram atraídos pelo automóvel da família - um jipe Cherokee 1997 -, mas escolheram o alvo errado.
O momento de maior tensão ocorreu quando a mãe precisou sair do cativeiro, abandonando as crianças. Enquanto isso, o marido negociava com os bandidos, sob constantes ameaças. A partir das informações de Karina, a polícia localizou o cativeiro, mas os bandidos haviam fugido. Dois deles foram presos em seguida, e as crianças acabaram libertadas.