Internacional

Depois da Toyota, GM quer deixar a Venezuela por falta de dólar

Folhapress
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São José dos Campos - O presidente da GM do Brasil e do Mercosul, Ray Young, disse ontem que existe o risco de, no futuro, a multinacional encerrar as suas atividades na Venezuela caso o governo do presidente Hugo Chávez continue a limitar a compra de dólares no país.

“Sempre há um risco (de as atividades da GM na Venezuela se encerrarem). Se nós não conseguimos dólares, não podemos comprar peças e os kits desmontados'', disse Young, durante visita à fábrica da GM em São José dos Campos (SP), onde esteve para oficializar uma doação em dinheiro a uma entidade que auxilia crianças com câncer.

“Até agora nós não tivemos esse risco, mas estamos sempre analisando e olhando a situação. É muito preocupante para nós a situação na Venezuela'', completou Young. Esta é a segunda vez que uma montadora declara a possibilidade de fechar as portas na Venezuela.

Na última terça-feira, o gerente de vendas e marketing da Toyota naquele país, Enrique Pinochet, afirmou que a empresa poderá suspender os trabalhos já na semana que vem. A alegação também foi a limitação da compra de dólares pelo governo Chávez.

A GM não possui fábrica na Venezuela. A subsidiária apenas importa peças e automóveis desmontados (CKDs) e os monta no país. Por isso, a limitação da compra de dólares atinge diretamente suas atividades.

De acordo com sua assessoria de imprensa, a montadora é líder em vendas na Venezuela, onde possui 26,7% de participação de mercado. Em 2006, a empresa vendeu 91,6 mil unidades naquele país.

Young também criticou medidas recentes adotadas pelo governo venezuelano, como a reestatização de setores considerados estratégicos, como telefonia e energia elétrica.

“Para as empresas multinacionais, é muito preocupante esse tipo de pensamento do governo da Venezuela, como a nacionalização de várias indústrias. Não dá confiança para o resto do mundo para investir na Venezuela”, disse Young.

“A Venezuela é um bom mercado. Nós investimos muito no país. Mas, baseado nessa política do governo, há muito risco'', completou.

Estimulada pelo crescimento econômico dos últimos três anos, a venda de carros tem crescido na Venezuela, onde a gasolina é a mais barata do mundo - o equivalente a R$ 0,07 o litro.

Em janeiro, a venda de automóveis cresceu 40,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram vendidas 28.619 unidades no país.

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