Um adolescente de 15 anos é um dos mais jovens traficantes já detidos pela polícia de Bauru. O garoto comandava uma “boca-de-fumo” no Parque Jaraguá, onde vendia crack. Ele alugou a casa onde a droga era embalada e vendida por ele e dois “funcionários”, um de 30 anos e outro de 13 anos.
O grupo foi flagrado pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) na manhã de ontem. Os policiais encontraram 35 porções de crack, cerca de R$ 1 mil em dinheiro, além de dois revólveres e aparelhos eletrônicos utilizados para pagamento do entorpecente. O delegado Kléber Granja afirma que grandes traficantes estão utilizando menores para o chamado “microtráfico”.
Após 10 dias de investigação, uma equipe da Dise se dirigiu até a casa no Parque Jaraguá. Na casa onde funcionava a boca-de-fumo, os policiais encontraram os adolescentes e Fábio Alexandre Tavares da Conceição, 30 anos dormindo. Segundo o delegado, eles passaram a noite vendendo crack. Ao perceber a chegada dos policiais, o garoto líder do grupo tentou esconder seis porções do entorpecente na boca, mas foi pego.
Embaixo do colchão, foram encontrados R$ 153,00 em dinheiro. Na residência, a equipe da Dise recolheu duas bicicletas, dois telefones celulares, uma TV de 14 polegadas, um aparelho de DVD e um MP3 player. O garoto de 15 anos confessou que era dono da droga e o locatário da casa, localizada em frente a uma creche. Ele ainda informou aos policiais que na casa de sua mãe, havia mais drogas.
Na casa da mãe do adolescente, no Parque Santa Edwirges, o garoto apontou uma pilha de tijolos no quintal onde escondia mais 29 porções de crack já embaladas para a venda. No guarda-roupas de um dos quartos, os policiais encontraram outros três aparelhos celulares e um rádio comunicados. Também foram encontrados uma balança mecânica e dois revólveres, um calibre 38 e outro calibre 32, com munição. A equipe da Dise também encontrou R$ 869,00. A procedência dos produtos oferecidos como pagamento pelo entorpecente será averiguada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
De acordo com Granja, o adolescente confessou que utilizava o revólver calibre 38 para fazer a proteção do ponto de drogas, que eram vendidas no Jaraguá e também no Centro. “Essa situação é muito preocupante. Verificamos cada vez mais a tentativa dos ‘patrões’, os grande traficantes, em fornecer e vender drogas para adolescentes, que se tornam microtraficantes”, lamenta o delegado.
Preocupação
Conceição foi preso em flagrante por tráfico de drogas e seria levado à Cadeia Pública de Avaí. Ele já possui passagem policial pelo crime. Os dois adolescentes foram recolhidos ao Núcleo de Apoio Integrado (NAI) da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) e ficarão apreendidos à disposição da Vara da Infância e Juventude. Segundo Granja, caso condenados, os garotos permanecerão três anos cumprindo medida sócio-educativa de privação de liberdade.
O delegado conta que o garoto confessou traficar há seis meses e que nenhum dos adolescentes freqüentava a escola. “O menino de 13 anos não sabe ler, nem escrever. A mãe pode ser denunciada por abandono intelectual de criança”, explica Granja. As mães dos dois adolescentes estavam na delegacia, acompanhando os filhos, mas não quiseram falar com a reportagem. Ao delegado, a mãe do adolescente que chefiava o grupo, disse que o filho não ficava muito em casa. “Acredito que foi um dos mais jovens microtraficantes que já pegamos. É uma preocupação muito grande e vamos trabalhar para coibir isso”, garante o delegado.