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Mundo que mistura real ao virtual permite escolher uma segunda vida

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Quem nunca viveu em um mundo imaginário? Um mundo que refletisse uma realidade diferente e muito melhor daquela que se vive na vida real. Um mundo onde você escolhe seu próprio corpo e decide onde quer viver.

Pois é. Com a chegada do Second Life (segunda vida, em inglês), esse mundo não é mais imaginário para uma parcela da população. Ele passou a ser real, embora essa realidade seja virtual. Mas isso não importa. Pelo menos ali, os mortais são capazes de realizar seus sonhos.

Esse novo mundo foi criado pelo físico americano Philip Rosedale, em 2003. Para fazer parte dele é preciso ter acesso à Internet, um pouquinho de dinheiro para pagar uma conexão de banda larga e um computador que atenda as recomendações mínimas.

No Second Life, o internauta cria seu próprio personagem, com as características físicas que melhor lhe agrada. Desde a cor do cabelo até o tipo de roupa que vai vestir, tudo é definido pelo internauta. A infra-estrutura do site permite criar um cenário fantástico, como, por exemplo, gente com cabeça de animal e seres com asas ou foguetes nas costas. Ali, o limite é a imaginação.

Para Lauro Teixeira, 29 anos, que estuda a TV interativa em seu curso de mestrado, o Second Life é uma extensão da vida real. Segundo ele, a consciência do ser humano está presa ao corpo. No Second Life é possível estender essa consciência para um outro personagem.

“Um avatar (nome dado ao personagem que se cria no Second Life) diz muito mais a respeito de quem está jogando do que seu corpo real”, afirma Teixeira. Diante dessas características, não demorou para esse universo virtual em forma de game despertar o interesse principalmente dos jovens – público que está sempre em busca de novidades.

O jornalista Lucas Pretti, 23 anos, não suportou tanta curiosidade e quis conhecer o mundo do lado de lá da tela do computador. A experiência parece ter agradado. “Achei muito maluco. Como a humanidade consegue chegar a isso?”, questiona ele, admirado com o que pôde vivenciar durante um mês dentro do Second Life.

Viciado nas novidades que a Internet sempre apresenta, Pretti diz que decidiu participar do mundo virtual do Second Life assim que ele foi lançado no Brasil. Ele baixou o programa no computador de casa e aos poucos foi se familiarizando com a vida do lado de lá. “Empolga o fato de criar alguém que é você mesmo com as características físicas que sempre sonhou em ter - e sem aquelas que sempre detestou”, escreveu ele em uma matéria para o jornal “Diário da Região”, de São José do Rio Preto, em que conta sua experiência com o Second Life.

Ele relata que os personagens desse mundo virtual podem ver uns aos outros e interagir entre eles. “E por interagir entenda-se todas as possibilidades existentes no mundo físico - falar, tocar, dançar, transar...”, explica.

Pretti ressalta que tudo isso é feito dentro do mundo virtual, mas sempre há alguém de carne e osso comandando essas ações em algum lugar do mundo. No início, o site dá as dicas de como dar vida ao personagem, quais os comandos que devem ser utilizados. Para conversar com alguma pessoa que esteja do seu lado no mundo virtual é só digitar as frases em um quadro destinado aos diálogos.

Pretti conta que a amizade feita com dois “residentes” do Second Life ultrapassou as fronteiras digitais e agora faz parte da vida real. “Ainda não as conheço pessoalmente, mas já fizemos contatos de verdade, por outras formas que não o Second Life”, diz o jornalista. Segundo Teixeira, que baseou seu curso de mestrado no estudo da TV interativa, o ambiente proporcionado pelo Second Life ainda não é tão real quanto a própria realidade, mas é a realidade que o internauta gostaria de viver.

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Como funciona

Com seus gráficos incrementados, a comunidade on-line Second Life parece um jogo tridimensional. Mas, em vez de matar personagens, o participante simplesmente conversa com as pessoas que encontra em lojas, bares, parques e outros lugares do mundo virtual.

O acesso à Second Life é livre. A moeda usada na comunidade virtual é o Linden dollars (L$). Com esse dinheiro, é possível freqüentar eventos que cobram ingresso e comprar terra.

Ao entrar na comunidade, o internauta deve configurar seu avatar (personagem). É possível ajustar muitas características do rosto e do corpo e escolher uma roupa. Além de andar, o personagem pode voar e se teletransportar.

A interação entre os usuários é realista. Basta se aproximar de alguém e digitar alguma coisa para iniciar uma conversa. Também é possível gritar, gesticular e manter bate-papos reservados.

Os eventos da comunidade virtual são um espetáculo à parte. Ao acessar a lista de festas e encontros, surgem propostas que variam do comum (uma balada em uma boate) ao radical (um encontro de paraquedistas), passando pelo erótico (uma visita a casa noturna).

No fim do ano passado, o Second Life ultrapassou a marca de 2 milhões de usuários cadastrados. O cadastro é gratuito. A comunidade verde-amarela está entre as que mais acessam o site, com 80 mil cadastrados. Existem duas categorias de usuários: visitante, cujo acesso é gratuito, mas apenas para “passear” pelo site, e residente que, mediante uma taxa mensal, cria sua vida paralela. No Brasil, o valor da mensalidade ainda não está definido. O download do Second Life pode ser feito no site www.secondlife.com. (Fonte: Folha Online e IstoÉ Dinheiro)

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