Pyongyang - A negociação para pôr um fim ao programa nuclear da Coréia do Norte não alcançou acordo ontem devido a uma disputa entre os países negociadores a respeito da compensação a Pyongyang pelo desarmamento. Enviados dos cinco países que negociam com a Coréia do Norte - Estados Unidos, Rússia, Japão, Coréia do Sul e China - continuam a enfrentar discordâncias com relação aos incentivos energéticos e financeiros ao governo de Kim Jong-il na atual rodada de discussões em Pequim.
Hoje será o quarto dia de negociações. “Se conseguirmos chegar a um acordo nesta questão (dos incentivos), poderemos resolver um problema generalizado e iniciar uma série de ações”, afirmou o enviado dos EUA, Christopher Hill.
O americano não especificou outros detalhes sobre a disputa, mas disse que ela está relacionada a um parágrafo da proposta de acordo sendo redigida atualmente. Hill alertou que uma falha em resolver o problema poderá prejudicar seriamente as negociações, que retornaram em dezembro último após um impasse que perdurou desde 2005.
Um diplomata que trabalha nas negociações afirmou que a disputa se refere ao volume de energia e ajuda financeira à Coréia do Norte, cuja economia está em dificuldades com o isolamento imposto pela comunidade internacional.
Anteontem, as autoridades chinesas apresentaram um projeto de acordo nas negociações, iniciadas em 2003 e que ficaram suspensas por um ano, entre 2005 e 2006. Pela proposta chinesa, a Coréia do Norte abandonaria seus programas nucleares em troca de garantias de segurança, ajuda econômica e a melhora das relações bilaterais com o governo americano. O representante do Japão nas negociações, Kenichiro Sasae, disse que a posição da Coréia do Norte ainda está muito distante das dos demais envolvidos.
Antes da pausa nas negociações de ontem, o negociador americano Christopher Hill disse que com os norte-coreanos nunca se sabe o que é importante, então é preciso aguardar.
O representante da Coréia do Sul, Chun Yung-woo, disse que as dificuldades podem estar ligadas principalmente à exigência de que os EUA abandonem sua política “hostil” em relação a Pyongyang. Em outubro de 2006, a Coréia do Norte anunciou ter completado com sucesso seu primeiro teste com armas nucleares. O Conselho de Segurança da ONU aplicou sanções para punir o país, sem resultados concretos significativos.