Bairros

Talentos surgem por acaso

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Ninguém nasce sabendo, diz a máxima popular. Talvez a expressão até esteja correta, mas no artesanato bauruense há inúmeros exemplos que provam o contrário. Quem vê as roupas de bonecas fabricadas por Raimunda da Silva Giovannetti, 63 anos, pode imaginar que ela fez curso em algum ateliê de alta costura.

Que nada: até os 48 anos de idade, a moradora da Vila Independência trabalhou apenas em escritórios de empresas. “Nunca havia feito trabalhos manuais até aquela época”, confirma.

Talvez, então, Giovannetti tenha aprendido a confeccionar a roupas durante a infância, quando brincava de bonecas. “Não! A única diversão que eu tinha naquela época eram umas espigas de milho enfeitadas com tiras de pano”, recorda.

A primeira boneca veio aos 14 anos, quando ainda morava em Belém, no Pará. “Passei em frente a uma loja e vi uma neném linda, feita de porcelana. Fiquei maravilhada, mas meu pai não tinha dinheiro para comprar”, afirma.

Todos os dias, enquanto passava em frente ao local, Giovannetti ficava tempo admirando o brinquedo. “Numa ocasião, perto do Natal, notei que a boneca não estava mais lá. Fiquei muito triste”, diz. Mas a decepção durou pouco.

“No dia 25 de dezembro, meu pai me chamou e me entregou o brinquedo”, recorda. O trabalho de estilista veio somente depois de adulta. “Eu estava desempregada. Como meu filho já fabricava acessórios para bonecas, resolvi arriscar nesse ramo”, garante.

Giovannetti nunca fez qualquer tipo de curso. “Aprendi sozinha. No começo as roupas saíam meio estranhas. Até hoje rio quando me lembro delas”, garante. Atualmente Giovannetti confecciona desde artigos esportivos até roupas de gala e vestidos de luxo. O marido, Alfio Giovannetti, fabrica acessórios, como óculos, bolsas e móveis.

Alguns artesãos descobriram que eram talentosos trabalhando com objetos dos mais corriqueiros. “Um dia eu estava num sítio, em Reginópolis, quando vi uma pedra. Minha sogra pediu que eu a decorasse”, recorda a artista plástica Vilma Morgado Rodeguero.

Na época ela só fazia pintura em tecidos. “Resolvi tentar e vi que o resultado ficou bom. Não parei mais”, recorda. Rodeguero garante que á capaz de reproduzir qualquer imagem numa pedra. “Só não gosto de desenhar rostos humanos, pois são muito trabalhosos de se fazer”, explica.

Comentários

Comentários