A previsão de que a temperatura média deve aumentar cerca de 4 graus até o fim deste século é motivo de preocupação para produtores rurais. Culturas como o café, milho, soja, arroz e feijão, entre outras, devem ser seriamente afetadas. Por outro lado, se o aumento da temperatura ficar em torno dos 3 graus, a cana-de-açúcar terá um ganho de produtividade considerável.
A afirmação é do meteorologista Hilton Silveira Pinto, da Unicamp, um dos autores do estudo sobre mudanças nas culturas agrícolas essenciais para o Brasil, em parceria com pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Segundo ele, o aumento da concentração de gás carbônico (CO2) favorece o desenvolvimento da cana. Entretanto, o aumento não pode ser exagerado para que não prejudique a planta. Isso significa que se a temperatura aumentar até 3 graus, o cenário ficará favorável para um aumento na produção da cana. Mais do que isso, é prejuízo na certa.
“A cana se comporta bem em regiões de temperatura elevada”, afirma Silveira Pinto, que também é diretor associado do Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura (Cepagri).
O Estado como um todo estaria em condições ideais para uma produção recorde de açúcar e álcool. Hoje, algumas regiões apresentam temperaturas mais amenas, o que impede a cana de se desenvolver em sua plenitude.
Por outro lado, esses 3 ou 4 graus a mais na temperatura praticamente decretam a morte da cultura do café no Estado. Se as previsões do IPCC estiverem corretas, no fim deste século não haverá mais condições climáticas para se plantar café em São Paulo.
De acordo com o estudo feito por Silveira Pinto, da Unicamp, e pesquisadores da Embrapa, se a temperatura média subir 5 graus só alguns pequenos pedaços de terra no Vale do Paraíba terão condições de produzir uma das bebidas mais apreciadas pelo brasileiro.