Pequim - O governo norte-coreano aceitou ontem suspender suas atividades nucleares, em um acordo selado em reunião multilateral que garantirá US$ 300 milhões em ajuda ao país. Segundo o acordo, fechado em reunião entre seis países em Pequim após uma semana de negociações, Pyongyang deve suspender as atividades em seu principal reator nuclear e permitir inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) no local.
“Este progresso marca um passo importante em direção à desnuclearização da península coreana”, afirmou o representante chinês, Wu Dawei, ao fim da reunião. “É favorável para o processo de paz no nordeste da Ásia e para a melhora das relações entre os países”. O pacto - selado entre as duas Coréias, os Estados Unidos, o Japão, a Rússia e a China - é apenas o primeiro de várias ações que visam desmantelar o programa nuclear norte-coreano.
Vários outros pontos devem ser discutidos em reuniões posteriores. “Esta é apenas uma fase do desarmamento. Nós não terminamos”, afirmou o representante americano, Christopher Hill, após o anúncio do acordo.
O acordo prevê que o governo norte-coreano deve tomar providências para suspender suas atividades nucleares em seu principal reator em um prazo de 60 dias. Em troca, receberá 50 mil toneladas de combustível e ajuda econômica. Outras 950 mil toneladas serão enviadas ao país quando forem tomadas medidas mais amplas para deter o programa nuclear do país.
Entre essas medidas, está incluído um inventário a respeito das ações norte-coreanas que envolvem plutônio -combustível usado por Pyongyang no teste nuclear realizado em outubro. O total de 100 mil toneladas de combustível corresponderia a US$ 330 milhões.
O acordo não inclui o fornecimento de 2.000 megawatts de eletricidade pleiteado pela Coréia do Sul em um acordo selado entre os seis países em setembro de 2005. Tal benefício só deverá ser concedido após a conclusão do desarmamento nuclear da Coréia do Norte. A provisão de eletricidade representaria um custo de US$ 8,5 bilhões em dez anos.