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Dr. Automóvel: Conversão para GNV

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Fala-se muito em conversão de motores para o gás natural veicular, conhecido como GNV. Diz-se que a economia é grande e que só tem vantagens, mas como tudo na vida tem dois lados, estes devem ser conhecidos antes da tomada de decisão.

Realmente o GNV é mais econômico do que a gasolina ou álcool, se comparados sob o ângulo de autonomia de rodagem por custo de reabastecimento. Em relação à gasolina, o GNV chega a ser cerca de 20% mais econômico. Também é mais ecológico, pois polui menos. Como é um gás, sua mistura com o ar é mais perfeita, em nível molecular, facilitando a queima e produzindo menos resíduos não queimados, que são os particulados poluentes que ficam em suspensão na atmosfera. Isto, comparando-se também aos motores a gasolina, visto que os a álcool poluem também bem menos, por ser um combustível de origem vegetal.

Mas nem tudo são rosas para o GNV. Como combustível, ele apresenta um poder calorífico quase à metade do da gasolina, o que faz com que gere menos potência ao ser queimada a mesma quantidade de combustível. Daí o fato de todo motor convertido ao GNV perder potência. Existem casos que conheço de pessoas que achavam que uma S10 com motor 4 cilindros a gasolina gastava muito e a converteram ao GNV na esperança de que ficasse mais econômica. A S10 a gasolina consome bastante porque o motor é relativamente fraco para o porte da picape, portanto precisa-se apertar mais o acelerador e usar marchas mais curtas para fazê-la andar. Ao converter para o GNV, pelo fato acima descrito, da perda de potência devido ao menor poder calorífico do gás, a picape ficou ainda mais fraca, chegando ao ponto de não conseguir subir a rampa da garagem do prédio. Mas isto tem uma explicação técnica: o sistema foi mal dimensionado e provavelmente mal instalado também, em um carro reconhecidamente inadequado para esta transformação devido ao motor fraco. Não quer dizer que o GNV não é bom, mas neste caso não foi a escolha apropriada.

Nas primeiras gerações dos equipamentos GNV, era comum perder-se de 30% a 40% de potência do motor, portanto se o motor tinha 120 cv a gasolina, chegava a ficar com apenas 72 cv quando movido a gás. Era o mesmo que uma picape S10 com motor 1.0 do Celta! Não anda mesmo. Já se instalarmos um equipamento mais moderno em um motor maior, com 165 cv por exemplo, a perda não é tão sensível pois ainda sobra potência suficiente para mover o veículo. Hoje a tecnologia dos equipamentos está na quinta geração, com bicos injetores multiponto.

A perda de potência atual para esta nova tecnologia é bem menor, cerca de 15% a 20% apenas, o que torna o sistema bem mais atraente. A Ford conseguiu a proeza de colocar um sistema em sua nova Ranger a gasolina e alega ter perdido apenas 10% de potência, algo fenomenal. Aí sim o custo fica interessante, mas do ponto de vista de reabastecimento de gás, porém o custo de instalação deste sistema moderno subiu para a estratosfera, cerca de R$ 5.700,00. Isto faz com que a relação custo/benefício só se torne interessante para quem roda muito.

É extremamente importante fazer a conversão somente em postos credenciados pelo Inmetro, que só concede a licença a oficinas idôneas e com mecânicos treinados. Agora que está chegando o GNV a Bauru, certamente aparecerão muitos mecânicos que se dizem “experts” em instalação de gás veicular, sem nenhuma experiência prévia e que farão as maiores barbaridades, com enormes riscos. O SENAI oferece cursos de treinamento para mecânicos e instaladores, com toda a tecnologia, experiência e tradição que eles têm. Vale a pena se preparar para a nova tecnologia e fazer a coisa certa. Excelentes empresas do ramo automotivo estão se preparando e se adequando para se tornarem credenciadas e instalarem o sistema. E lembre-se que com a conversão vai perder um bom espaço no porta-malas para os tanques de gás...

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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