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A força do compromisso


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As dificuldades vistas no município de Bauru são evidentes e estão impregnadas no humor e no espírito do cidadão sofrido. Uma das maiores chagas que uma comunidade pode apresentar é o desânimo misturado com a falta de perspectiva de um grupo social. Hoje na cidade é notável a falta de saídas para as soluções dos problemas urbanos. Ao se deslocar pelas vias públicas, ler novos casos de improbidade administrativa, acompanhar problemas sanitários e testemunhar a degradação dos serviços públicos, o espírito não deixa de ter outra alternativa a não ser a desolação.

Mas nada é comparável com a maior das conseqüências produzida pelo caos urbano, essa é a falta de compromisso instalada por todos os setores da sociedade bauruense. Quando a comunidade de um município é tomada por dificuldades rotineiras, percalços constantes e adversidades ignoradas a única saída é o salve-se quem puder assim cauterizando a sensibilidade de se indignar. Nota-se uma grande nuvem estacionada pela cidade derramando desânimo e falta de compromisso em seus cidadãos.

Quando esta situação se instala, todos, desde o cidadão normal, empresários até as autoridades ficam cegos e colocam uma camisa de força, isolando-se das soluções e fugindo das responsabilidades. Vários fatos e ações atestam há muito tempo esta falta de compromisso, principalmente, por parte das autoridades de Bauru. Podem-se enumerar ações ocorridas num curto espaço de tempo no município.

1 – No último pleito eleitoral foi calamitosa a mensagem dada aos eleitores pelos políticos bauruenses. Os inúmeros candidatos a deputado federal do município foram incapazes de criar uma frente Pró-Bauru, para elegerem um ou dois candidatos que representariam o município na política nacional. Os interesses individuais ficaram à frente do interesse coletivo, e os partidos, sem nenhuma coesão ideológica, se digladiam para requentar os nomes almejando o pleito dos vereadores. Lamentável atitude.

2 – No ato de posse da nova presidência da Câmara Municipal as ausências foram significativas. O prefeito não compareceu e o representante do Poder Executivo presente, vice–prefeito, em alto e bom som propalou as divergências existentes com o próprio prefeito. Não bastando essa triste desunião, ficou notável a falta de alguns vereadores na posse da presidência da própria casa. Ao ler algum dos motivos das faltas por este jornal, constatamos que um deles era a dificuldade de trafegar pelas vias rurais da cidade. Quem são os responsáveis por isso?

3 – Outro fato ocorrido e materializado por este jornal foi a falta em massa dos coletores de lixo do município. Pelo que se sabe não existia nenhuma movimentação grevista e apenas “dois” heróis funcionários compareceram para prestar um fundamental serviço urbano no dia 2 de janeiro. A falta de compromisso realmente atingiu todo aparato público da cidade.

4 – Tanto a Câmara, prefeitura e secretários vivem da doença adquirida pelo presidente da República, a inabilidade de explicações e apresentação de propostas de solução. O descaso com os cargos públicos ficou constatado quando um dos vereadores aceitou a liderança de uma secretaria, mas avisou para o suplente que ficaria apenas um ano no cargo! Será que um trabalho sério pode ser feito em um ano?

5 – A improbidade pública ficou estampada na Sear, órgão que foi extinto para apaziguar a torrente de denúncias jorradas da má administração dos líderes da secretaria. Tristeza... Em um Brasil manchado por corrupção, somos atacados pelas próprias improbidades. O coletivismo de alguns funcionários evaporou-se. O artigo não deve prosseguir com tantas outras pílulas de cauterização. Essas já bastam para ilustrar a tamanha falta de compromisso de autoridades e funcionalismo. Não é tarde ressaltar a bravura e profissionalismo da maioria dos funcionários públicos municipais, eles fazem a diferença e ainda conseguem manter minimamente funcionado o aparelho urbano.

A falta de compromisso pode ser visto no lixo jogado na rua, na velocidade excedida nas ruas da cidade e na falta de educação no trato entre as pessoas. Chegou o momento de criar-se uma “força tarefa” por todos nós. As autoridades, legisladores, juízes, poder econômico, intelectual e cidadãos devem e estão conclamados para reafirmarem o compromisso e resgatarem a luz no final do túnel. A cidade possui uma força enorme quando todos os setores ficam sintonizados para deixarem os interesses individuais e moldarem os interesses comunitários. Bauru deve urgentemente ser respeitada e dignificada por todos nós e o melhor caminho a ser trilhado é a força do compromisso.

O autor, Eli Tavano Toledo, é professor de Geografia

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