“A continuar do jeito que está, não haverá solução. Teremos mais Santas Casas fechando, e o povo tendo menos atendimento.” A avaliação é do deputado reeleito Marcelo Ortiz (PV-SP), presidente da Frente Parlamentar das Santas Casas. Sem querer citar diretamente os últimos ministros da Saúde, ele diz que os responsáveis pelo problema são os “administradores do Sistema Único de Saúde”.
A internação de um paciente em Santa Casa custa ao SUS R$ 8,40. “Você tem que dar a ele café da manhã, almoço, café da tarde, jantar, chá da noite, todo o serviço de enfermagem, água, luz, telefone, roupa de cama e limpeza do quarto”, enumera Ortiz. “Quem é que agüenta? É como um saco onde você tem 10, aí tira dois e põe um, tira dois e põe um, até chegar no fundo do saco.”
Para o deputado, o SUS deve pelo menos remunerar o gasto feito pela entidade. As Santas Casas não podem ter lucro, mas precisam ter dinheiro para investimento. E, no esquema atual, só estão tendo déficit. “Somente os casos de alta complexidade permitem hoje a remuneração e até um pouco de superávit”, diz. “Nos outros casos, como numa internação de apêndice, a Santa Casa tem prejuízo.”
Ortiz critica o que chama de “kit-doença” na administração de medicamentos. Em caso de problema no pulmão, o remédio que o SUS autoriza é o Binotal, um antibiótico que custa R$ 10,00. “Se o Binotal não resolver o problema, e você precisar dar um Cipro, que custa uns R$ 70,00, o SUS não paga, a Santa Casa que tem de bancar”, conta o deputado.
Se o paciente ficar mais de quatro dias, no quinto a instituição recebe do SUS metade da diária de R$ 8,40; no sexto dia, um quarto; e nos outros dias, mais nada. “Tivemos um caso de uma moça de cidade vizinha que foi para Guaratinguetá e precisava tomar uma injeção que custava R$ 42,00. E tomava uma por dia. Ficou três meses recebendo essa injeção, sem que o SUS pagasse. Quem é que consegue administrar uma Santa Casa dessa forma?”