Brasília - O Brasil vai doar à Bolívia três milhões de doses de vacinas contra a febre aftosa. Um milhão dessas vacinas deverão ser encaminhadas à Bolívia na primeira quinzena de março e outros dois milhões serão entregues em duas etapas em 2008, segundo informações do Ministério da Agricultura. A doação foi um dos acordos firmados durante a visita do presidente boliviano, Evo Morales, ao Brasil ontem. Também estão previstos acordos de cooperação e treinamento de técnicos bolivianos na área de manejo de informações e gestão de emergência sanitária e de vigilância.
Especialistas bolivianos serão treinados no Brasil sobre técnicas de laboratório para diagnóstico de doenças vesiculares entre maio e outubro deste ano. As doses da vacina que serão doadas deverão custar entre R$ 0,70 R$ 0.80 cada. Os dois países também deverão assumir compromissos de trabalho conjunto na área de vigilância sanitária. No ano passado foram doadas 1 milhão de doses para a Bolívia.
Gás
O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, sinalizou ontem que as discussões sobre o preço do gás boliviano comprado via Petrobras poderão envolver negociações sobre novos investimentos. O ministro reconheceu que o acordo sobre o preço do gás é fundamental para realização de novos projetos brasileiros na Bolívia, mas afirmou que a “recíproca” também é verdadeira. De acordo com Amorim, um bom entendimento sobre investimentos - como o projeto de criação de um pólo gás-químico entre Brasil e Bolívia - poderá contribuir para uma solução em relação ao gás.
O projeto do pólo gás-químico entre o Brasil e Bolívia era um dos principais investimentos previstos pela Petrobras no país vizinho, que acabou suspenso após o anúncio de nacionalização das reservas em maio do ano passado.
Segundo Amorim, durante a visita do presidente boliviano, Evo Morales, os possíveis investimentos estão sendo tratados em discussões de natureza política, para mais tarde serem encaminhados a uma solução técnica. Além do pólo gás-químico, considerado vultoso, Amorim citou a negociação de um acordo de cooperação técnica para a Bolívia construir uma estrada entre La Paz e o norte do País. Amorim afirmou ainda que o Brasil está disposto a atender o pleito boliviano de financiar exportação de tratores, no valor estimado de US$ 30 milhões.
O ministro reconheceu que o preço do gás boliviano vendido para a Termocuiabá, cujo contrato não envolve a Petrobras, está “totalmente desatualizado e injusto”. Disse ainda que o preço deverá ser renegociado. Evo Morales foi recebido ontem, no final da manhã, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Mais tarde, a comitiva boliviana reuniu-se com diplomatas no Itamaraty.
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Atropelos marcam visita
Brasília - Atrasos e atropelos marcaram a agenda do presidente da Bolívia, Evo Morales, ontem em Brasília. Uma tempestade postergou em pelo menos cinco horas a chegada da maior parte de sua delegação de ministros, que havia embarcado em La Paz em um segundo avião. Diante do Palácio do Planalto, as chuvas o impediram de seguir o protocolo reservado às visitas de Estado. Morales não passou as tropas em revista, não subiu a famosa rampa nem ouviu os hinos dos dois países nem os tiros de canhões ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ingressou pela porta lateral.
O atraso de sua delegação causou ainda constrangimentos. Às 17h10, o próprio ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, informou à imprensa que Morales estava, naquele momento, despachando com assessores no gabinete dele, Amorim, no Palácio do Itamaraty. A visita de Estado, de caráter extremamente formal, tornou-se uma visita de negociação entre os governos. A assinatura dos acordos atrasou em sete horas, depois de dois adiamentos, e acabou ocorrendo à noite.
“Não é toda hora que uma visita de Estado se transforma em uma visita negociadora”, afirmou Amorim, ao explicar que o Brasil tenta construir um relacionamento novo com a Bolívia e que não parte de uma relação madura. “As coisas são como são”, conformou-se.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, adiou na última hora a visita que faria ao Congresso Nacional ontem. Segundo a “Agência Câmara”, os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já estavam no Salão Negro do Congresso esperando por Morales quando foram informados do cancelamento da visita.
O cerimonial informou que a visita de Morales ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durou mais que o esperado e que seu vôo sairia às 17h30, o que impediu que o boliviano aparecesse no Congresso. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse que Morales “deu o bolo” em Chinaglia e em Renan.
Da Redação/Com Folhapress e AE