Rio - Em depoimento ao juiz da 2.ª Vara da Infância e Juventude, Guaraci Vianna, o adolescente de 16 anos acusado da morte de João Hélio disse ter tentado soltar o cinto de segurança do menino e imaginou no momento que havia conseguido. “Ele disse que só perceberam que tinha uma criança quando pararam o carro. (...) Eles achavam que aquela manifestação toda era porque a polícia estava atrás dele”, relatou Vianna. Ele negou mais uma vez a participação do irmão Carlos Eduardo Toledo Lima, 23 anos, no assalto que culminou no brutal assassinato.
No depoimento, assumiu que estava no banco do carona enquanto o menino era arrastado. Diego Nascimento Silva estaria ao volante, disse o jovem. Ele relatou a Vianna que se sentiu induzido por policiais a incluir o irmão entre os envolvidos no crime. Vianna não descarta a hipótese de que o jovem esteja assumindo para encobrir a participação do irmão. “Não é (seria) a primeira vez que a polícia chega aqui com uma pessoa réu confessa e, ao longo da instrução, a polícia vem e diz que não é mais ela (a culpada).”
Uma das duas testemunhas que perseguiram o carro que arrastou João Hélio disse ontem em depoimento à polícia que Carlos Eduardo estava ao volante - ele é o único dos presos a negar participação no crime. Ele disse que, na hora do fato, estava com uma namorada, que negou o álibi dele em depoimento. Os outros presos também o acusam.
O delegado responsável pelo caso, Hércules Pires do Nascimento, afirmou ontem que não divulgará o resultado do laudo cadavérico do corpo do menino para preservar a família. De acordo com policiais que trabalham com ele, o exame seria uma “sessão de horrores”. Três dos suspeitos - o próprio Lima, Diego Nascimento Silva e Tiago Abreu Matos - foram reconhecidos ontem como autores do roubo de um Citröen no ano passado, na Tijuca (zona norte), o que reforça a suspeita da polícia que eles integrariam uma quadrilha de ladrões de carros.
Vianna disse que o adolescente pareceu amedrontado com a repercussão do caso, mas em nenhum momento chorou ou demonstrou descontrole emocional. Disse apenas que não conseguiu dormir na noite do crime. Durante a audiência de apresentação ao juiz, seus pais estiveram presentes o tempo todo, mas não quiseram dar entrevistas, afirmando que se sentem ameaçados pela comoção que o crime causou.
Hoje, a polícia deve realizar uma reconstituição do assalto e da fuga do criminosos.