O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou ontem nacionalizar supermercados, açougues e frigoríficos, por causa da crise de desabastecimento no país.
Chávez, que culpa produtores e comerciantes pela falta de alguns alimentos básicos no mercado, como carne e leite, afirmou que está “se esforçando para ter paciência”. “Mandei recado para produtores, intermediários, abatedouros e frigoríficos, mas eles continuam a violar os interesses do povo (...) eu vou nacionalizá-los; que se preparem'', disse.
A Venezuela tabela, desde 2003, os preços de cerca de 150 produtos considerados básicos, a fim de pressionar a inflação para baixo. Sempre que os produtores e comerciantes consideram que seus custos estão altos demais, eles fazem estoques, impedindo que as mercadorias cheguem ao consumidor. A idéia é pressionar o governo para que libere os preços, a fim de que o consumidor final volte a arcar com uma proporção maior dos custos.
No último mês, com o aumento do dólar no câmbio paralelo (muitos produtos são importados), artigos como carne e leite desapareceram das prateleiras. Uma das armas do governo para tentar impedir essa especulação é tentar controlar os preços via fiscalização.
É freqüente na Venezuela que o governo feche supermercados que não respeitam os preços por ele fixados. Além das ameaças do presidente, o governo tomou ontem uma medida mais pragmática: anunciou um aumento dos preços de alguns alimentos. O aumento anunciado ontem ficou em aproximadamente 31% para a carne vermelha, por exemplo.
A ministra da Indústria Leve e do Comércio, Maria Cristina Iglesias, anunciou na semana passada um plano de “importações maciças”, a fim de tentar minimizar os efeitos da especulação via formação de estoques.
O sindicato patronal Fedecámaras, por sua vez, afirmou que o desabastecimento é causado pela “ineficácia das políticas econômicas oficiais”.
Imprensa
A Justiça venezuelana multou o jornal “Tal Cual”, crítico ao governo, em um valor equivalente a US$ 18 mil, multa aplicada devido à publicação de um texto humorístico que fazia referência à filha de Chávez.