O Monte Aconcágua – que só perde em altitude para os montes da Ásia como o Everest, no Nepal, é o ponto mais alto das Américas. Lugar que atrai alpinistas de todas as partes e que durante anos se preparam incessantemente para conseguir a proeza de colocar a bandeirinha do seu país lá no topo. Muitos posaram para fotos estampadas na Internet; outros morreram por conta do esforço e falta de oxigenação.
Quem visita a cidade argentina de Mendoza pode, independentemente de subir o morro, também “caminhar nas nuvens”, mergulhar em águas termais, praticar rafting nos rios que nascem na Cordilheira, cavalgar ou praticar trekking com a ajuda de guias treinados.
As agências de viagem oferecem passeios carregados de adrenalina que começam por uma viagem mágica pela antiga estrada que ligava a Argentina ao Chile – hoje Portillo (porta, em espanhol, faz as vezes de anfitrião aos caminhões e automóveis que partem do Brasil e cruzam a Argentina rumo a Santiago do Chile) e que culmina no Morro Cristo Redentor (onde as bandeiras dos dois países trepidam por força do vento fortíssimo, que não deixa turista nenhum ficar além de cinco minutos fora das vans para tirar fotos).
O percurso é longo, cansativo e, em alguns trechos, perigoso. A atração principal, capaz de gelar a alma mesmo que não esteja nevando lá fora, é o trecho tortuoso chamado de Caracol de Villavicêncio, também conhecido por “Caminho das 365 curvas” ou “Rota de um ano”.
A viagem toda (ida e volta) dura em torno de cinco horas, começando por uma estradinha vicinal que está sendo recapeada, desvios, buracos e cascalho, passando pelas propriedades rurais de Mendoza, com vinhedos, fazendas de oliveiras e árvores frutíferas. Este é o único caminho que dá acesso ao Parque Villavicencio.
A aventura corta a Ruta 7 – a estrada que liga a Argentina de Leste a Oeste - e parte em direção às encostas da pré-cordilheira com as mais belas e altas formações rochosas dos Andes.
A parada na entrada da reserva é obrigatória. É o único lugar para se usar banheiro e beber água (depois só atrás da moita ou das rochas). Os guardas do posto – a 50 quilômetros de Mendoza - oferecem água mineral gratuita aos visitantes (natural e gasosa) e são muito gentis, explicando aos mais ansiosos que, apesar de cansativa, a incursão valerá a pena pela visão magnífica do monte e da fronteira com o Chile. No local, neva até mesmo no verão, quando a temperatura oscila entre 3ºC e 4ºC.
Na seqüência, antes da subida íngreme, os visitantes podem caminhar alguns metros para conhecer a antiga sede do Hotel Thermas Villavicencio, desativado desde 1978.