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O Brasil precisa de leitores


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Muito se tem falado que o déficit de leitura no Brasil só pode ser solucionado com um maciço investimento em alfabetização, vindo de iniciativas privadas ou públicas. Puro engano. Ensinar as pessoas a escrever os respectivos nomes não contribui para o aumento dos livros lidos. Precisamos, sim, de um programa baseado no conceito de letramento. Justificando: a pessoa toma gosto pela leitura somente quando entende o que está lendo e constrói mentalmente os cenários descritos, envolvendo-se com cada uma das páginas. Esse contexto, embora óbvio e essencial, está presente em menos de 10% das escolas e universidades brasileiras, segundo dados que obtive junto a profissionais dessa área. A explicação: na maioria das instituições, crianças e adolescentes são submetidos a tarefas desgastantes, principalmente a de ler livros difíceis e, posteriormente, realizar uma prova sobre a história, conflitos e personagens. Atividades como essa contribuem e muito para que, infelizmente, leitores traumatizados e angustiados se afastem definitivamente dos livros, por melhor que esses sejam. Fica claro, então, que a leitura, seja ela em âmbito escolar ou familiar, não deve ser obrigatória, e sim estimulada a todo instante.

Uma alternativa é deixarmos de lado as normas existentes e desenvolvermos atividades associadas ao letramento, apresentado anteriormente. O método: professores e pais criam tarefas educacionais, como por exemplo, a encenação de um trecho do livro, e mostram, para as crianças e adolescentes, que a leitura é importante para despertar a criatividade, enriquecer o vocabulário, escrever-se corretamente e até mesmo construir novas amizades. Além da imediata inclusão do programa de letramento como disciplina básica da primeira séria de todas as escolas brasileiras, sugiro uma segunda ação: disponibilizar atividades editoriais para os estudantes. Como atividades editoriais lê-se visitas às editoras e acompanhamento da diagramação e impressão dos livros, além, é claro, da observação do rotina de trabalho dos profissionais que fazem os escritos virarem obras, algumas até clássicas. Com essas propostas, temos uma meta ousada: fazer do livro um companheiro do abajur, da mesa do computador e da pia do banheiro. Ele, em poucas palavras, deve, o quanto antes, ser incorporado ao cotidiano dos brasileiros. O resultado será, facilmente, medido por meio de pesquisas junto aos novos leitores, que abordariam a quantidade de livros lidos antes e depois da implantação das duas propostas – letramento e atividades editoriais. Mas, também, com base na análise das vendas das livrarias.

Quem gostar de um livro, vai certamente comprar outro, seja de um mesmo autor, de um mesmo gênero ou de um tema totalmente diferente. Provaremos, com isso, que o déficit de leitura existia porque faltava oportunidade e, principalmente, incentivo aos leitores. Vamos mudar esse quadro. 2007 tem tudo para ser o ano da literatura.

O autor, Rodrigo Capella, é escritor e poeta. Autor de “Enigmas e Passaportes” e “Transroca, o navio proibido”, que vai ser adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer

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