Tribuna do Leitor

Viaduto inacabado


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Nos últimos dias vêm sendo publicadas nesta Tribuna várias cartas de missivistas sugerindo a conclusão da obra do viaduto. Por nossa vez queremos também manifestar o nosso ponto de vista a respeito, sem, entretanto, querer polemizar o assunto em questão e ainda respeitando a opinião de cada um, uma vez que vivemos em regime democrático, onde a manifestação de pensamento é consagrada pela Constituição e também porque não nos julgamos donos da verdade. Isto posto, temos o seguinte raciocínio: a) se para construir a primeira alça do viaduto, que ainda não está concluída, o município contraiu uma dívida astronômica, comprometendo desta forma grande parte da arrecadação, em detrimento de outros serviços essenciais; b) imaginemos o quanto será comprometedor terminar a primeira alça e iniciar e concluir a segunda; c) e ainda se pensarmos que provavelmente terá que se construir uma rotatória na convergência do viaduto que dará acesso à Vila Falcão, o que fatalmente implicará em desapropriação. Consideramos que a idéia de se concluir o viaduto poderá levar o município a mergulhar num desfiladeiro inconseqüente. Ao elaborarmos um projeto é preciso estar conectado com os fatos e contextos que nos envolvem e ainda termos em mente uma perspectiva de futuro.

A revista OESP Estadão Construção - março-abril/2004 - publicou a seguinte notícia: o projeto de recuperação e uso da malha ferroviária, que liga Santos a Antofagasta, no Chile, foi apresentado no início de fevereiro na cidade de Campo Grande (MS), num encontro que reuniu autoridades do Brasil, Bolívia, Argentina e Chile. A idéia é criar um corredor “bi-oceânico”, que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico e encurtará em sete mil quilômetros o caminho do transporte da produção de grãos, petroquímicos e minérios. Acreditamos que se for concretizado tal projeto, as vias férreas em Bauru poderão ter outro traçado, com conseqüente remoção dos trilhos, até mesmo sem ônus para o município e, se isto ocorrer, por via de conseqüências não haveria a necessidade de viaduto.

José de Almeida Netto - RG 3.293.252

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