Política

Para Tuga, há sucessão antecipada

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito Tuga Angerami (sem partido) comentou ontem que considera já deflagrada a corrida sucessória em relação ao seu cargo para 2008. Mas ele diz que, em sua avaliação, a reação é normal em razão do próprio prefeito ter antecipado que não quer mais ser candidato a nada, deixando inclusive de se filiar a um partido até a conclusão do mandato.

“Não sou candidato, não tenho filiação partidária e não vou ter, para deixar claro que a única coisa que quero fazer nesses dois anos é tentar melhorar os serviços da prefeitura, fazendo avançar saúde, educação, assistência social e saneamento. Teremos 30 mil pessoas com esgoto tratado até o final do ano e estamos avançando”, abordou o prefeito ao participar da solenidade de entrega do decreto de hóspede oficial ao presidente da Ebara, Hiroyuki Fyjimura, ontem pela manhã.

Em seguida, em entrevista coletiva, Angerami complementou sobre o processo eleitoral antecipado. “Eu não tento ver se grupo A ou B, ou coligação ou membros de partidos estão criando problemas. Até porque isso é infrutífero. O que a gente tem de entender é que há um processo de sucessão já deflagrado. Talvez o próprio fato de eu dizer que não sou candidato, e estou fora do páreo, acabou estimulando essa corrida sucessória. É normal”, falou.

Ao comentar sobre a eleição, Tuga acaba fazendo relação também com o aumento no termômetro das críticas contra sua gestão. Neste campo, ele diz que está enfrentando os problemas à medida que surgem. “Problemas existem, quando eles são detectados eles são enfrentados e nós não temos poupado absolutamente quem quer que seja no sentido da responsabilização. Agora a atenção acaba ficando sequestrada, capturada, pelos problemas que são da máquina e cada um deles têm sido enfrentados de forma a melhorar os controles”, mencionou.

Mas em sua opinião os partidos e possíveis candidatos deveriam se preocupar em levantar, desde já, um projeto para a cidade. “Acho que os partidos se prepararem para o embate é normal, montarem chapas de vereador. Agora tem de pensar um pouco nas alternativas para resolver os problemas, se preparar para apresentar propostas para a minha sucessão. Isso significa ter crítica, fiscalizar, mas também que os partidos pensem na próxima gestão”, complementou.

O prefeito voltou a falar que vai tomar medidas antipáticas. Apesar de não mencioná-las, entre as ações está a mudança na forma de custeio do plano de saúde privado oferecido ao servidor. A prefeitura não quer ficar bancando quase toda a conta mensal de quase R$ 500 mil. “Mas voltar as baterias contra a administração é ficar com dois anos perdidos e condenar a cidade a prejuízos maiores. Não estou fazendo questão de agradar e têm muitas medidas que não são simpáticas e eu vou tomar. Tenho a disposição de arcar com esses ônus. Não estou preocupado em ser agradável, em ter cacife eleitoral para a próxima eleição”, mencionou.

Angerami pede compreensão e avalia que seu governo avançou. “Minha preocupação é que esse sacrifício, resolvendo problemas indigestos e ainda que perdendo companheiros ao tomar medida rígidas contra pessoas próximas, seja compreendido como uma contribuição para ajudar a cidade. Só isso. Não estou preocupado em saber qual será meu cacife eleitoral se eu conseguir melhorar a saúde mais ainda, porque já melhorou, deu um salto’, finalizou.

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