A vitória da chapa “Sindicato é pra lutar” nas eleições para a diretoria do Sindicato dos Bancários de Bauru foi uma “resposta dos trabalhadores contra o sindicalismo governista” representado pelo grupo adversário, segundo Marcos Lenharo, diretor do sindicato que integra a chapa vencedora.
Com a vitória, a chapa da situação, ligada ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), continuará à frente da instituição até março de 2010, mas com menos poder interno do que dispõe atualmente. Como o estatuto do Sindicato dos Bancários de Bauru prevê a composição das 30 vagas da diretoria através do princípio da proporcionalidade, ou seja, o percentual de votos obtidos na eleição determina a ocupação dos cargos, a chapa, que obteve 751 votos dos 1.206 possíveis (63,7% do total), terá 19 nomes na direção. A oposição, apoiada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), que terminou o pleito com 428 votos (36,2%), apontará 11 diretores.
Em relação ao quadro atual, a situação perdeu sete cadeiras. Como há cerca de 20 anos o sindicato é comandado por um grupo que segue a mesma orientação, os próximos três anos devem ser caracterizados pelo maior debate interno.
O resultado final das eleições foi conhecido na madrugada de ontem, na sede do sindicato, após três dias de votação que tiveram momentos tensos, com trocas de provocações entre militantes das chapas até a hora da apuração, na qual os simpatizantes dos dois grupos agiam como se fossem torcidas de times rivais.
Para Lenharo, essa diminuição de espaço é normal no processo eleitoral e não obscurece o fato de que o ponto de vista defendido pela atual diretoria foi o escolhido pelos bancários de Bauru e região. Para o sindicalista, a disputa travada nos últimos dias não foi entre chapas locais, mas entre a filosofia de liberdade de atuação defendida pela atual diretoria e a proximidade da CUT com o governo do PT, relação que, segundo Lenharo, inviabiliza o movimento sindical.
“A vitória mantém a independência do sindicato”, diz Lenharo, fazendo questão de lembrar que, todas as propostas que servirem aos interesses dos trabalhadores da categoria serão debatidas e aprovadas não importando se suas origens estiverem vinculadas a algum partido político.