Geral

Polícia Civil ouve funcionário e proprietário de duas funerárias

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil ouviu ontem um funcionário e o proprietário de duas funerárias de Bauru. Os depoimentos constarão no inquérito que apura o paradeiro do filho de um casal de Reginópolis. A criança nasceu na Maternidade Santa Isabel no dia 21 de outubro de 2001.Horas depois do parto, marido e mulher foram informados da morte do bebê. Ele era do sexo masculino, mas sepultaram uma menina. Conforme o JC já divulgou, tanto a Polícia Civil quanto o Ministério Público não têm dúvidas da troca das crianças.

No mesmo dia em que o filho de Reginaldo Aparecido de Souza e Vera Lúcia Dutra foi dado como morto, outras três crianças também morreram e tiveram os corpos enviados ao necrotério da Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Uma funerária de Iacanga, cuja a então proprietária já foi ouvida no 3º Distrito Policial (DP), retirou o corpo daquele que seria filho do casal de Reginópolis.

Mas era uma menina, conforme a perícia já constatou. Em Iacanga, ninguém desembrulhou o bebê, assim como o funcionário de uma funerária de Bauru, que liberou o corpo de outras duas crianças enterradas no Cemitério Redentor. Ontem, ele contou ao delegado do 3º DP Ismael Cavalieri que entregou para o sepultamento uma menina e um menino. Confessou não lembrar-se de detalhes em virtude do tempo transcorrido.

Sem registro

O proprietário de outra funerária de Bauru também esteve ontem no 3º DP, após ser convocado. O nome da funerária dele consta no livro de registro do necrotério. No entanto, o funcionário que assinou a retirada do corpo, cujo nome seria David, nunca trabalhou na funerária - que também não tem registro de ter retirado um corpo de criança naquela data.

“Deve ser uma funerária (com o mesmo nome), mas da região”, explica o delegado. O bebê foi enterrado em Guaiçara. Neste caso, o sexo da criança também não foi confirmado pela funerária. Cavalieri espera que o exame de DNA realizado a partir dos ossos exumados, há dez dias, possa resolver o impasse. Mas como os ossos já estavam em estado de decomposição avançada, o Instituto Médico Legal (IML) avalia como remotas as chances de conseguir comprovar a paternidade através do exame. Enquanto isso, na próxima quinta-feira, funcionários daquela época do necrotério da AHB também serão ouvidos no 3º DP.

Um deles ainda trabalha no local e será apresentado na data definida. Um outro não tem mais qualquer ligação trabalhista com a associação, mas mesmo assim foi intimado. O terceiro está em licença e também foi convocado via correio.

O 3º DP não informou o nome das pessoas ouvidas ontem. Já a AHB reiterou que só se pronunciará sobre o assunto após a conclusão da ação na Justiça.

Comentários

Comentários